Aplausos para o documentário sobre Nina Simone da Netflix

No domingo passado (27/12/2015) assisti a três produções veiculadas pela NetFlix na SmartTv e ao final da jornada – muito prazerosa – fiquei com a impressão, ou melhor, a certeza de que a NetFlix não apenas está revolucionando a nossa maneira de assistir TV, mas também é muito democrática.

Primeiro assisti a um documentário sobre Bettie Page, um dos grandes símbolos da cultura pop dos EUA no século 20, tão importante quanto Marilyn Monroe, ou qualquer astro ou estrela do rock, como Janis Joplin etc. Muito bom o documentário. Um fato político chama a atenção: conservadores, fundamentalistas, etc, da época do macartismo, perseguiram fotógrafos das primeiras pin-ups, como Bettie Page – sem dúvidas um dos símbolos da revolução sexual que começava à época, com os beats e posteriormente com os hippies – com a mesma fúria com que atacavam comunistas e outros esquerdistas americanos na década de 1950.

Em seguida assisti ao especial de Natal, “A Very Murray Christimas”, direção de Sofia Coppola, com Bill Murray, Miles Cyrus, George Clooney, e outros artistas norte-americanos. Gostei! Especialmente pelo fato de o especial ter se arriscado um bocado na busca da criatividade, já que ele parte do roteiro de que nada parecia que daria certo naquela noite de Natal – nevasca, metrô parado, chefs de cozinha desesperados porque o bolo ou outra comida natalina não estava tão perfeita quanto esperavam, um casal de noiva e noivo que briga na hora do casamento, etc…

Todavia, por apostar que com essas imperfeiçoes, desafinações, conflitos, e também com o próprio clima de kitsch da data, vista com bom humor e irreverência – essa palavra está um bocado desgastada, mas na falta de outra melhor, vai ela mesmo -, pode se conseguir também elegância e poesia, o especial de Natal de Murray e seus convidados acaba dando certo.

Mas indubitavelmente o melhor e mais emocionante foi assistir ao documentário sobre Nina Simone. Me emocionou do começo ao fim. Por diversas vezes não consegui conter as lágrimas – isso parece piegas, lugar comum, ainda mais quando o documentário mostra, com bastante honestidade intelectual, quanto foi poética e de uma dignidade artística exemplar a vida dessa artista e ativista da luta dos negros americanos por direitos civis na década de 1960 e anos posteriores.

Depois peguei o controle remoto e saí da NetFlix, caindo na Globo, no horário do medíocre programa de auditório do Faustão. Programa de auditório, sabemos, faz parte da cultura brasileira, tivemos um ótimo, o do saudoso Chacrinha, mas Faustão e golpistas, Donald Trump crescendo entre os conservadores nas eleições atuais dos EUA para a presidência daquele país, isso é baixo astral demais para estragar nosso dia falando deles aqui.

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