Archimedes Memória: “O futuro ancorado no passado”

Por Chico Moreira Guedes

Dica para os interessados em arte, arquitetura e sua história.

Dissertação e tese acadêmica geralmente dão ideia – pelo menos pra mim – de coisa que só orientador e membro de banca examinadora lê (se é que lê mesmo), e que está fadada a ser solenemente ignorada pelo resto do mundo, e quem sabe esquecida até pelo/a próprio/a autor(a) depois de cumprida sua função de fazer um upgrade no currículo.

Pois, surpresa! Confirmando o jargão de que toda regra tem exceção, de ontem pra hoje eu me vi lendo com grande prazer e admiração a dissertação da arquiteta Aurélia Tâmisa Silvestre de Alencar, que lhe valeu em 2010 o título de mestre no programa de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ.

Num texto fluente, muito agradável de ler, e rico de informações preciosas, Aurélia revisita a trajetória do cearense Archimedes Memória (isso é que nome!), figura semiesquecida hoje, mas que foi peça-chave na evolução da arquitetura brasileira nas três primeiras décadas do século XX, como professor e diretor da Escola Nacional de Belas Artes e autor de projetos que marcam até hoje a fisionomia urbana do Rio de Janeiro, como o Palácio Tiradentes, a Câmara Municipal, o conjunto do Hipódromo da Gávea, a velha sede do Botafogo, etc.

Archimedes Memória esteve também envolvido no imbroglio artístico-político criado em torno da construção, sob o comando de Gustavo Capanema, da sede do recém-criado Ministério da Educação em 1935, e que Aurélia conta com riqueza de detalhes e precisão documental.

A dissertação de ATSA é uma aula dessas que dá mesmo vontade de assistir, e pode-se ler aqui: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp137173.pdf

Comentários

There is 1 comment for this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × quatro =

ao topo