Ariettes oubliées III

Ariettes oubliées III
Paul Verlaine

A chuva é doce sobre a cidade

“ Il pleut doucement sur la ville”
Arthur Rimbaud

Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville ;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon coeur ?

Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits !
Pour un coeur qui s’ennuie
Ô le chant de la pluie !

Il pleure sans raison
Dans ce coeur qui écoeure.
Quoi ! nulle trahison ?…
Ce deuil est sans raison.

C’est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi
Sans amour et sans haine
Mon coeur a tant de peine !

********

Cantigas sem palavras
trad. João da Mata

Chora no meu coração
Como chove sobre a cidade
Que suave lassidão
Invade meu coração

Ó doce canção de paz
Sobre os telhados e chão
De uma dor tenaz
Num acalanto da paz

Que motivo as lágrimas
Que sei do coração!
Perfídia? Por não ter
Motivo esse sofrer

E a minha maior dor
É não saber porque,
Sem ódio e sem amor
Mora em mim tanta dor

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Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. DAMATA 14 de novembro de 2013 10:25

    Obrigado amigo Rolim, adoro Verlaine e esse é um grande poema. Faz parte da minha antologia pessoal.

  2. Anchieta Rolim 14 de novembro de 2013 10:12

    Damata, que beleza,….E a minha maior dor
    É não saber porque,
    Sem ódio e sem amor
    Mora em mim tanta dor.

  3. DAMATA 13 de novembro de 2013 22:39

    Valeu Marcos, obrigado por compartilhar o mesmo gosto. Fico feliz. Alegra meu coração.

    Fiz uma tradução livre de um poema de Keats que foi postado hoje.

  4. Marcos Silva 13 de novembro de 2013 22:26

    João:

    Esse poema de Verlaine é muito bonito, obrigado por trazê-lo para nós.
    Há algum tempo, fiz uma tradução do mesmo poema:

    Árias esquecidas III

    “Chove docemente sobre a cidade”.
    (Arthur Rimbaud)

    Chora em meu coração,
    Chove lá na cidade,
    Qual langor este então
    Que entra em meu coração?

    Doce brado da chuva
    Pela terra e nos tetos!
    Coração que se turva,
    Ó, ó canto da chuva!

    Chora sim sem razão
    No coração que enjoa.
    Qual! Nenhuma traição?…
    Luto mais sem razão.

    E é bem pior a pena
    Não saber nem por que,
    Sem amor, ódio, cena,
    Coração ser só pena!

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