Armazenamento da vida na rede se expande

Feira de tecnologia Cebit reuniu quase 340 mil pessoas, na semana passada, em Hannover, no norte da Alemanha

Por Diógenes Muniz
FSP/ENVIADO ESPECIAL A HANNOVER

Tem perfil no Facebook? Guarda fotos e documentos na rede? Usa celular com frequência? Então fica esperto que você é ciborgue!

A tese é da nerd norte-americana Amber Case, 24. Desde janeiro, quando deu uma palestra sobre o efeito das novas ferramentas de comunicação no comportamento humano, Case chamou atenção de internautas do mundo inteiro e conseguiu dezenas de milhares de espectadores. Um façanha para quem se apresenta como “filósofa digital” ou “antropóloga ciborgue”.

A constatação de que a mente pode estar escapando de nossos cérebros por conta do armazenamento, na rede, de emoções e lembranças correu o mundo. Encontrou ecos na Cebit, maior feira de tecnologia do planeta, que terminou no último sábado (5) e recebeu 339 mil visitantes.

O lema do evento? “Viver e trabalhar na nuvem”. É uma referência à computação em nuvens, tecnologia que permite o armazenamento de dados em servidores geograficamente distantes de quem os produziu ou os detém por direito. Traduzindo: fotos, vídeos, textos, toda nossa memória virtualizada.

VIDA NAS NUVENS

Trata-se de um modelo já conhecido para quem acompanha os avanços da tecnologia, mas que expandiu seus tentáculos nos últimos meses e ganhou escala industrial.

“É um mercado de bilhões de dólares e seus benefícios, como a diminuição dos custos e o aumento da eficiência, são grandes demais para ignorarmos”, definiu, em entrevista, o presidente da feira, Ernst Raue.

“Informação é poder. A tecnologia em nuvem, em última análise, ajuda a dar poder às massas”, concordou, à Folha, o presidente da Microsoft Internacional, Jean-Philippe Courtois, que esteve em Hannover.

Segundo relatório divulgado em fevereiro pela consultoria Gartner,”cloud computing” está no topo do ranking de prioridades tecnológicas para empresas em 2011. São estimados investimentos de R$ 13 bilhões neste setor até o fim do ano.

Alcance espetacular para alguns, preocupante para outros. O sistema é mais barato e ocupa menos espaço do que armazenamento próprio (seja no seu PC, seja numa caixa debaixo da cama). O acesso é instantâneo. Por outro lado, são gigabytes e mais gigabytes de dados pessoais e profissionais estocados em locais que nem sequer sabemos onde ficam.

“Ainda há reservas consideráveis em relação à computação em nuvens, sobretudo na área de administração pública”, diz Linda Strick, do centro de pesquisas alemão Fraunhofer.

Para completar, ainda neste ano o Google deve lançar comercialmente um sistema operacional que funciona “em nuvem”, o Chrome OS. Seus usuários poderão acessar a área de trabalho de qualquer computador.

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