Artista plástico ‘descoloniza o corpo’

Por Luciano Trigo
Máquina de Escrever

Pedro Costa faz performance controversa no Salão de Artes Visuais de Natal

Uma performance do artista plástico Pedro Costa, realizada no 13º Salão de Artes Visuais de Natal na sexta-feira passada, está causando polêmica. Membro do grupo “Solange Tô Aberta!”, Costa tirou a roupa em frente ao público e, de quatro, tirou um terço… do ânus. A performance foi filmada e está em exibição, na galeria Newton Navarro, da Funcarte. O terço também está sendo exposto. O Salão, promovido pela Prefeitura de Natal, está aberto à visitação até 30 de abril. O artista explicou que sua obra representa a “a descolonização do corpo através da excretação [sic] do terço, um dos símbolos do domínio colonialista”.

Há poucos meses lancei um livro intitulado “A Grande Feira – Uma reação ao vale-tudo na arte contemporânea”. Uma das obras que cito como sintomática da situação de deriva e da falta de critérios de julgamento na arte contemporânea é “Piss Christ”, do artista internacionalmente aclamado Andres Serrano. Trata-se da fotografia de um crucifixo mergulhado em urina. Se esse tipo de obra é reconhecido e valorizado pelo sistema da arte, é natural que vire modelo a ser copiado, em países periféricos, por artistas em busca de 15 minutos de fama.

O que chama a atenção é o silêncio da classe artística diante dos exemplos de extravagâncias e escatologias que se multiplicam, apresentadas como arte em museus e galerias como obras relevantes e inovadoras. Há dois anos, quando o artista costa-riquenho Guillermo Habacuc amarrou um cachorro faminto no canto de uma galeria, os protestos vieram de sociedades protetoras de animais. Idem no mês passado, quando o belga Wim Delvoye expôs porcos com tatuagens de Jesus Cristo e Nossa Senhora.

Cadê a sociedade protetora da arte?

ao topo