O artista potiguar precisa ou não do Prêmio Hangar de Música?

O reconhecimento ao trabalho artístico é imprescindível. Isso é inquestionável. A maneira como se reconhece a arte, sim, cabe discussão. O Prêmio Hangar tem proposta atraente. O roteiro do evento, no papel, é atrativo: esquetes musicais, entrega de prêmios, homenagens, etc. Uma festa da música. E o melhor: do nosso talento potiguar!

O Hangar já conta umas 13 edições. Tem história! Difícil afirmar se tem “Tradição”. Tradição é quando os valores são transmitidos, respeitados e seguidos consequentemente. Além das interrupções entre um ano ou outro, a premiação, ao que parece, não conquistou o prestígio que até merece ou devia merecer.

Compareci à festa ano passado, bem badalada, com Teatro Riachuelo cheio, e em anos anteriores, ainda no Teatro Alberto Maranhão. Percebi evolução, sobretudo no último ano. Para este, um teatro semi-vazio, artistas premiados que sequer foram buscar o troféu e uma cerimônia arrastada, tal qual ano passado, por mais de quatro horas.

O patrocínio foi o mesmo. O local foi o mesmo. Até o data inconveniente num meio de semana foi a mesma. Por que tão pouca gente? A dinâmica alongada do ano passado assustou os convidados desse ano? Faltou divulgação? Alguém sabia do show de Rodrigo Maranhão? E a pergunta fundamental: o artista potiguar precisa do Prêmio Hangar?

Na minha opinião, sim. Há uma carência nesse sentido. Como também uma lacuna enorme nas críticas literárias, musicais, artísticas, etc. São elementos que colaboram para o fortalecimento da arte. Reconhecimento, crítica construtiva, produção. Mas é preciso mais profissionalismo, apuro na construção dessas festas e eventos.

Vejam: o Prêmio da Música Brasileira passou por diversas fases. Por mais de dez anos foi chamado de Prêmio Sharp. Também recebeu o nome de Prêmio TIM de Música. Mas em 2009, seu idealizador, José Maurício Machline realizou a Premiação sem patrocínio, apenas com a ajuda de amigos, artistas e fornecedores. Isso comprova a importância do Prêmio da Música para a cultura brasileira.

Acho o Hangar com potencial de se tornar a festa da música potiguar. Que os patrocinadores continuem essa aposta. Que a produção seja mais dinâmica. Que as premiações respeitem mais a diversidade da música potiguar e menos o gosto pessoal. E que o artista potiguar, em troca, também reconheça a importância desse Prêmio.

(foto: Brunno Martins)

Comments

Be the first to comment on this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP