artistas do mercado de trabalho, uni-vos (!)

dai-vos as mãos
agora.

depois silêncio nas antessalas,
passos em falso,
minas no quintal de casa –
acirradas competições para eleger a obra
mais bem paga.

dai-vos as mãos
depressa.

antes de desafinar a ópera,
narinas de platina,
veias desertas na cidade –
enormes zumbis de concreto
velho.

dai-vos as mãos
sem medo.

e fechem os olhos,
e rasguem a língua.
com a benção dos padres,
se encham de publicidade (!)
da felicidade
na publicidade.

Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 25 de setembro de 2011 9:10

    falaste bem sobre o poema de J,Mombaça,Marcos.é isso aí.

  2. Jota Mombaça 24 de setembro de 2011 20:00

  3. Marcos Silva 24 de setembro de 2011 16:49

    Esse é um belo poema, parte de um bom combate.
    Lembrei de uma passagem da novela “Morte em Veneza”, mantida no filme homônimo: Von Aschenbach, estranhando a desinfecção da cidade e alguns rumores ou indícios sobre a situação local, pergunta para o gerente do luxuoso hotel onde está, para um vendedor numa loja e para um cantor mambembe o que está se passando, todos são evasivos; faz a mesma pergunta ao funcionário de uma casa de câmbio, que repete as evasivas para, em seguida, revelar a verdade da peste.
    Certamente, nem Mann nem Visconti atribuíram a voz da verdade ao mercado. Mas uma voz veio do mercado (o agente de câmbio), apesar do mercado, contra o mercado, e revelou o que se passava.
    O mercado merece ser combatido por nós, ainda mais através de poemas tão bons quanto este de Mombaça. Mas é possível que, dentro dele, haja uma ou outra voz que diga algo que preste. Ouvidos atentos e críticos distinguirão o mercado habitual dessas exceções.

  4. Danclads Andrade 24 de setembro de 2011 15:31

    Arte
    De linha-
    -De produção,
    De massa,
    De qualidade
    ISO 9000,
    De códigos
    De barra,
    Arte-padrão,
    Arte
    De deleite
    Fácil
    A quem
    Nada
    Entende
    De arte.

    Maravilha, Mombaça!

  5. Jairo llima 24 de setembro de 2011 13:27

    Esse cara é poeta, puta que o pariu. Esse cara é o cara.

  6. Jarbas Martins 24 de setembro de 2011 9:04

    POETA !!!

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