Artur Soares, uma dose de poesia musicalmente incalculável

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Abri o site de Artur Soares e resolvi experimentar suas músicas. Nenhuma pretensão; só para dar uma força. Coisa que gosto de fazer com todos os novos artistas. Mas não foi como eu esperava. Pensei em ouvir alguma coisa, dar minha opinião e esquecer a página virtual. Foi impossível. A música de Artur me prendeu de maneira misteriosa. Agarrou-me pela curiosidade, depois pela ansiedade e, finalmente, pelo gosto. Não havia ouvido nada de tão bom gosto há algum tempo e, de repente, estava diante de um artista nas dimensões de um Marcelo Jeneci, de um Lirinha, Tulipa Ruiz, Tiê e tantos outros que estão fazendo sucesso nas paradas nacionais. A diferença, que para mim é muito significativa, é que Bodoque, o disco de Artur, é polifônico e nordestinamente consciente.

Atur Soares dialoga com o mundo a partir de suas letras, mas também imprime, de forma subjetiva, as influências de seus ídolos. Isso é nítido nas melodias que, muitas vezes, nos levam a Belchior, Raul Seixas, Chico Buarque, Engenheiros do Hawaii e outros. Mas ele faz isso de forma natural, sem invencionice ou pastiche e é justamente esse entrecruzamento que o torna autêntico numa medida que havia muito não era vista. Importante ainda é ser ele o autor das canções e das letras, se não em todas, mas em sua maioria.

Duas canções me chamam atenção: “Meu fusca Charlie”, que tem um clipe fantástico no Youtube, e “O vento e a janela aberta” que é uma das coisas mais romanticamente juvenil que ouvi recentemente: “Meu bem, mas se o amor te encontrar/ Diga que a ele eu dou o meu lugar/ Deixe a janela aberta/ Vai chegar a hora certa/ O vento vai trazer alguém que você queira amar”. Mas tem ainda “Jurubeba’s Queen”, a música que me levou a conhecer Artur, há muitos anos, durante um festival, que é outra poesia, dessa vez influenciada pela quadrinha drummondiana, e “De repente Rio de Janeiro”, uma sátira que conta sua tentativa frustrada de fazer sucesso na capital carioca.

No site do cantor (www.artursoare.com) qualquer um pode baixar o disco e possuí-lo gratuitamente. Eu o baixei, passei para um pendrive e não paro de ouvir nunca. Melhor, não paro de compartilhar e tenho orgulho de dizer que já o apresentei a uma dezena de amigos. O disco físico também já peguei, ele está disponível ao preço de R$ 10,00 na editora Queima Bucha, um valor simbólico para a qualidade do trabalho e a dedicação impressa num disco que é uma pequena obra de arte.

Filho de Apodi/RN é Jornalista, assessor de imprensa e eventos do Instituto do Cérebro da UFRN. Membro do coletivo independente Repórter de Rua, articulista no Jornal de Fato (www.defato.com) e organizador da Revista Cruviana (www.revistacruviana.blogspot.com).rinas & Urubus (www.aspirinasurubus.blogspot.com). [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Edilma Nunes 21 de março de 2013 19:04

    Apaixonei-me pelo trabalho de Arthur Soares há cerca de uns 2 anos atrás quando um amigo o apresentou-me e o que mais me marcou foi a intensidade e a relevância de suas letras, visto que ele é muito jovem e infelizmente nossa juventude está cada vez mais pobre de cultura, de bom gosto e de escolhas de qualidade. Parabéns e muito sucesso Artur!

  2. Emerson Linhares 21 de março de 2013 17:29

    J. Paiva, também fiquei impressionado com o trabalho do Artur. Excelente a qualidade musical e poética. Gostei bastante de “Meu Fusca Charlie”, sobretudo por ter varias referências aos Beatles, minha banda predileta. Grande abraço

  3. Anchieta Rolim 21 de março de 2013 14:20

    J. Paiva, valeu a dica.Vou ouvir esse danado agorinha mesmo!

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