As cabeças não vão rolar?

Caríssimo Monteiro,

Saio do meu território plácido da “feira do teorema” (onde andava e ainda ando me abrigando contra tempestades e bombardeios) para me assomar àqueles que querem ver, vez por todas, resolvida essa verdadeira pendenga que se inaugurou quando da assunção de um certo “capitão” em importante posto da cultura potiguar. Na verdade, inclusive, essa situação começou bem antes, ainda nessa recente “administração” de nossa ensolarada província Natal. Não se deve esquecer os primórdios de toda essa crise, com a revelação que se deu dos fatos que envergonharam a todos nós. Mas, não vejo necessidade de narrá-los todos aqui. Prefiro, antes, exibir neste espaço democrático a minha total indignação e irresignação com o triste momento por que todos nós estamos passando.

De logo, quero afirmar que considero a situação presente absolutamente escandalosa. Escandalosa e inexplicável. Escandalosa, pelo descaso da prefeita (por sinal,  comandante de uma das piores gestões que Natal já teve nos últimos 20 ou 30 anos) e pela ação e omissão tendentes a fortes prejuízos à produção cultural e artística de Natal. Inexplicável, também, por uma certa “tolerância” que ainda se vê na classe dos intelectuais e artistas potiguares, que ainda não se mobilizaram a contento para a “queda da bastilha” cultural. É óbvio que a situação atual requer ações mais contundentes daqueles que se veem vilipendiados. E esses somos todos nós. Não somente os que produzem arte e cultura, mas a população ávida por consumi-la (se me permitem essa última expressão tão anti-moacycirneana).

Monteiro, ainda bem que vejo em alguns dos principais articulistas de Natal – como é o caso de Tácito Costa e de Woden Madruga – uma reação inteligente e ácida ao estado de coisas da entidade cultural pré-falimentar. Importante, também, a sua atuação. Mesmo que pareça palpite de estrangeiro, significa, em verdade, que o escândalo da cultura potiguar (e não falo somente das coisas de Natal) tomou uma proporção insuportável. Nada é produzido. Nada, sequer é pensado por aquelas plagas oficiais.

Saio da minha placidez atual para me juntar aos que querem trazer de volta os bons momentos de nossas entidades oficiais de cultura, de que tanto precisamos. Cadê o ENE? Cadê a editoração de livros? Cadê os prêmios de poesia e prosa? Cadê os eventos musicais? Cadê as artes plásticas? Cadê, Fernando, os artistas potiguares que não se rebelam?

Tenho um palpite, Monteiro: as cabeças ainda não rolaram porque não há aterros sanitários com dimensões para receber tanta m…

Um forte abraço e vamos à luta para restaurar nossos espaços culturais, oficiais, é verdade, mas fundamentais.

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