As cortinas

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As cortinas tem cinturas de bailarina
Miram o mundo da solidão das janelas
Sopro nos vestidos sob a luz cristalina
Adejam e brilham e dançam paralelas

Embora, nas ruas, absorvidas e desatentas
As pessoas aflitas não percebam a graça
e vão-se em cigarros e vias barulhentas
dançam cortinas na dissipação da fumaça

Nas cidades ausentes paira sobre a agonia
Um esvoaçar de panos, discreto, imaculável
Percebem as bailarinas sob a frágil sinfonia

Pessoas mergulhadas no cigarro inexorável
Janelas abrindo-se mudas ao nascer do dia
O mundo seguindo melancólico e indecifrável

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