As críticas ao Bloomsday em Natal

O poeta Moacy Cirne critica em seu Balaio Vermelho, com elegância e autoridade, a realização do Bloomsday em Natal. A nota segue mais abaixo na íntegra. Eu não reprovo. Nem o registro do poeta e nem o Bloomsday. Vejo com bons olhos o trabalho do professor Francisco Ivan. Claro, seria ótimo se tivéssemos também o dia do Autor Potiguar, o Dia de Câmara Cascudo, o Dia de Jorge Fernandes, o Dia de Guimarães Rosa etc. Enfim, quantos mais “dias” dedicados à literatura melhor. Mas, enquanto esse momento não chega, penso que seja mais produtivo incentivar o trabalho de Ivan. E cobrar a realização dos outros “dias”, nisso Moacy está correto. É necessário reconhecer, contudo, o profícuo trabalho de Ivan. Sem ele, a cena literária de Natal fica mais pobre. Compreendo a posição de Moacy, mas ela acaba reforçando um provincianismo sempre latente aqui em Natal, que junta no mesmo barco, escritores/poetas e leitores medíocres e cultos.

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DIA DE BLOOM’ EM NATAL
No Balaio n° 1563, de 20 de junho de 2004, já questionávamos a comemoração do Bloomsday em Natal, mesmo reconhecendo a importância de Ulisses no quadro da literatura mundial do século XX (um dos três ou quatro melhores romances dos últimos 100 anos). Continuamos questionando. E só o aceitaremos como tal depois que for instituído o Dia do Autor Potiguar, a ser prestigiado igualmente por acadêmicos, escritores e boêmios. A título de informação: provavelmente fui, em Natal, o primeiro a saudar na imprensa o Ulisses de Joyce/Houaiss, em 1966.

BALAIO VERMELHO

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