As flores dos maus

“Quando Dão João desceu ao subterrâneo rio,
E logo depois pagar seu óbolo ao barqueiro,
De Antístenes rival, um mendigo sombrio,
Os remos segurou, braço forte e traiçoeiro. “
(Baudelaire )

O mal chegou. O mal bate a porta, lateja. invade nossas casas, mentes. Palavras, atos e ações. Lúcifer ganhou. Na literatura a estética do mal se instala definitivamente com as “Flores do Mal” do Baudelaire. Com Baudelaire satanás é entronizado e o homem perde o seu lugar de destaque onde tinha sido colocado na renascença.

Depois, Rimbaud, vive uma “Temporada no Inferno” e a poesia definitivamente entra na modernidade.

É assim que ele chega jogando mais uma pedra nesse charco pútrido. Caiu e ninguém sabe o porquê. Os gregos não o queriam e criaram o Prometeu. Prometeu eternamente acorrentado e perdido é o homem tentado por lúcifer. Sempre perseguido e rugindo como um cão ele tenta seduzir. Sob suas azas gigantes ele leva o Fausto a visitar o seu reino. Fausto se entregou. E quem não se entregaria! Mefistófeles diz para o Fausto: – “eu sou uma parte daquela força que sempre quer o mal e sempre faz o bem” .

Oh! Satan, Lúcifer, Belial, Belzebu, Lilith, Asmodeu e Abaddon porque não me deixas; Percorro os círculos infernais de Dante e lá encontro os predispostos ao mal. Questiono Lombroso, mas tenho que admitir o defeito de fabricação de alguns. O grande criminoso tem baixíssima tolerância à frustração e à carência. Não pode ser contrariado e muitas vezes seu comportamento se aproxima do fascismo. Ou é o próprio fascista.

No livro “Eichmann in Jerusalem”: A Report on the Banality of Evil de 1963, escrito pela filósofa Hannah Arendt, ela cunha a expressão “banalidade do mal”. Nada mais atual nos tempos modernos. Onde o ter venceu o ser. O autoritário age nos detalhes e na segregação de alguns que eles sentem ameaça.

Tenho um carro de cento e cinqüenta mil e não tenho um livro. Estamos ficando insensíveis à brutalidade e perdendo a sensibilidade para o belo, para as cores e para o bem que existe em cada um de nós. O céu azul de antes não é que vemos hoje. Lúcifer parece que ganhou. Seu numero é o dois. Temos sempre duas opções e precisamos decidir na encruzilhada.

Eichmann levou milhares de Judeus à morte por uma causa. Antes, ele tinha se apaixonado por uma judia. A experiência totalitária elimina a vontade individual e a espontaneidade. É preciso detectar as alteridades e agir de forma preventiva. (Cult 150 )..

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Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 1 de dezembro de 2010 19:27

    Valeu Amigo,

    Bem lembrado. Gosto de todos os títulos referidos por voce
    a literatura sobre o mal é vastíssima

    abração

  2. Danclads Lins de Andrade 1 de dezembro de 2010 16:57

    PS: Na verdade, um trecho da música dos Rolling Stones… Rs…

  3. Danclads Lins de Andrade 1 de dezembro de 2010 16:56

    Da Mata, o texto é de uma abordagem ímpar. Mas, faltou aqui Bram Stoker e o seu “Drácula” e o “Anticristo” de Nietszche. O mal na Literatura tem produzido obras-primas e produzido uma estética do feio, do catástrofico, uma estética teratológica; uma Medusa sedutora e horripilante.

    Me fizeste lembrar uma música dos Rolling Stones (Sympathy for the Devil), cuja tradução é a seguinte:

    “Por favor, permita que eu me apresente
    Sou um homem de riquezas e requinte
    Estive por aí por muitos, muitos anos
    Roubei a alma e a fé de muitos homens

    E eu estava por lá quando Jesus Cristo
    Teve seu momento de dúvida e dor.
    Certifiquei-me de que Pilatos
    Lavasse suas mãos e selasse seu destino”.

    As artes, também, se valem do mal para mandar suas mensagens.

    Abraços.

  4. Ednar Andrade 30 de novembro de 2010 21:37

    “O mal chegou. O mal bate a porta, lateja. invade nossas casas, mentes. Palavras, atos e ações”.

    Concordo contigo, o mal chega e “a mais perfeita manha é fazer crer que não existe” (Baudelaire).

    Mas, enquanto existirem as flores… Quero poder agraciar e acariciar a vida e os amigos com elas. É assim que sou querido.

    Assim aprendi, a minha guerra é pela paz.

    Obrigada, pelos elogios. Eu fico daqui com um sorriso… Não nego… Agora: a musa, a esteta do SP, é muita responsabilidade Da Mata… Rs… Jamais tive a intenção… Não chego a tanto… Rs… O que existe são duas palavrinhas: 1. empatia ou 2. antipatia.

    Acontece que daqui, entendo, temos uma empatia. Sou, talvez, tão simples ou até mais do que presumo ser. E captas que simples assim é bom… Rs…

    A vaidade empobrece. A presunção subtrai, dissipa os valores.

    Opinião, todos têm e divergem, naturalmente.

    O debate é necessário; a tentativa de degradação é que faz degradante a ação.

    E é contra isso que insisto. A crítica, aceito sempre; o desrespeito, jamais.

    Conclusão do meu pensamento: somos livres para ser quem somos, como somos.

    Obrigada, querido, pelo carinho e aqui, de público, digo: te respeito, te admiro. A ti, o meu abraço.

  5. João da Mata 30 de novembro de 2010 13:54

    ps “A mais perfeita manha do Diabo é a de fazer crer que não existe…”
    Baudelaire

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