As lições do segundo turno

Foi bom que tenha ocorrido o 2º turno.

Bem lá no início da campanha, quando foram definidos os principais nomes que disputaram a eleição, Marina, Plínio, Serra e Dilma, eu cheguei a pensar em votar nulo. Nenhum desses candidatos, por razões diferentes, atendia aos meus anseios de eleitor. Mas ainda no 1º turno, evoluí para votar naquele que considerava menos ruim. Escrevi isso aqui e votei em Dilma, aliás, anunciei a chapa completa.

Os acontecimentos do 2º turno mostraram-me que fiz a opção correta. Deixando-se de lado a corrupção e as más companhias, comuns às duas coligações, não há sofisma que esconda a guinada à direita da coligação liderada pelo candidato Serra.

Se não bastasse, usou e abusou do preconceito, do medo, de toda sorte de expedientes condenáveis para ganhar a eleição. As correntes de e-mails sórdidos, o conluio com as igrejas, a questão do aborto, a encenação com a bolinha de papel, a demagogia delirante…

Sinceramente, eu tinha outra visão sobre Serra. Inclusive, no início da campanha, achava que se ele ganhasse o Brasil não sofreria um retrocesso, visto que tanto ele quanto Dilma, Marina e Plínio vinham do campo da esquerda. Poderiam manter e até aprofundar o que foi feito sob FHC e Lula. Não estou entre os que demonizam o Governo FHC, que teve, como todo governo, coisas boas e ruins.

Estava, sim, redondamente enganado sobre Serra e me penitencio do equívoco.

Serra conseguiu trazer à tona, ou melhor, ressuscitar múmias como o Clube Militar e a TFP (Tradição, Família e Propriedade) entidades que abrigam a extrema direita no Brasil.

Revoltou-me também a campanha escancarada e mentirosa, em vários momentos, principalmente, dos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo contra o Governo Lula e Dilma. O Globo e a Tv Globo agiram de forma mais disfarçada, mas dava para perceber claramente de que lado estavam. Todos juntos novamente. Como em 1964. Nisso, não inovaram em nada.

Felizmente, nesta eleição existiam os blogs, que exerceram um papel fundamental no desmascaramento e contraponto às mentiras da grande imprensa. Essa história ainda vai ser contada melhor depois.

Então, foi bom que tenha havido 2º turno. Permitiu, mais uma vez, que a direita brasileira se mostrasse claramente. Alguns até já tinham esquecido dos seus métodos. Podemos ver, não sem um arrepio na alma, como suas bandeiras continuam as mesmas que foram levantadas em apoio do golpe militar de 64.

Antecipando-me aos coments, que afirmam que de esquerda o Governo Lula não tem nada, ainda assim, pelo menos para mim, ficou claro que com Serra, pelo que prometeu, se comprometeu e deixou claro em questões que considero relevante, seria muito pior.

Serra sai dessa campanha bem menor do que entrou, com manchas na biografia que só o tempo dirá se serão esquecidas ou não. Enveredou com gosto à direita, mas nada indica que, derrotado, seja o nome que comandará a oposição. Esse espaço já está ocupado por gente mais qualificada como José Agripino, Jorge Bornhausen e Alckmin, os suspeitos de sempre.

Sem grandes ilusões, voto em Dilma. Voto, principalmente, pela continuidade das políticas sociais do governo Lula, como o Bolsa Família, por exemplo, que defendi desde o início.

Sempre esteve claro para mim que o meu barco, no jornalismo, jamais seria o mesmo de um Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Merval Pereira, Miriam Leitão, Dora Kramer, Arnaldo Jabor e a turma local que bebe na mesma vinha, alguns não passando de imitadores baratos, mais para patéticos bufões. (TC)

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