As naus de João Maurício Fernandes de Miranda

Rio Grande do Norte sem sorte. O rio grande é uma nau desgovernada sem porto seguro, embora seja fruto da colonização de um bravo povo do mar. Quem é do mar não enjoa, mas chegando aqui nada vinga. O Turismo Cultural é uma fonte inesgotável de recursos financeiros. Em Natal temos pouco o que mostrar culturalmente

O Museu das Naus, inaugurado há pouco só durou três meses (aqui).

Antes que o fogo de palha das comemorações apagasse já foi desativado. O espaço tão festejado para abrigar coleção preciosa no Iate Clube, em Santos Reis, já foi esvaziado. Uma bela coleção única no Brasil de réplicas navais pode deixar o Rio Grande do Norte. Digo, Rio Grande sem Sorte.

A cidade que ancorou os navios portugueses que aportaram, não tem espaço nem interesse de abrigar essa rica coleção de naus, caravelas e galeões. Minuciosamente construídas por um grande artesão. Miniaturas construídas com o ‘louro vermelho’, existentes nas floras brasileiras e africanas; e o “ Pinho de Rigo”, nativo de mares gelados como os que banham a Ucrânia. Entre as reproduções está a nau capitânia utilizada por Cristóvão Colombo no descobrimento da América, em 1492. O trabalho de uma vida está próximo de deixar seu porto inseguro. Deve ir para o Rio de Janeiro.

Lastimável.

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