As queixas de Rodrigues Neto

Fui ontem à noite à abertura de uma mostra coletiva de artes plásticas na Galeria Anjo Azul, que reúne trabalhos de alguns dos principais artistas da cidade. Gostei do que vi, principalmente, dos quadros de Marcelos Bob e das peças cerâmicas.

Na saída topei com o presidente da Funcarte, Rodrigues Neto. Cumprimentou-me e conversamos alguns minutos. O encontro foi documentado, a pedido do fotógrafo Paulo Oliveira e do próprio Rodrigues Neto, em fotos feitas por colunista social que fazia a cobertura do evento.

Durante a conversa, o presidente da Funcarte fez algumas considerações que compartilho com vocês. Vou tentar transcrever o que ouvi (de memória, não fiz anotações), mas caso não consiga ser inteiramente fiel, o espaço está aberto para ele retificar.

Reclamou – muito – da cobertura negativa sobre a capacidade dele gerir a fundação;
Disse que os repórteres distorceram as entrevistas;
Esperava a solidariedade dos colegas jornalistas, afinal ele sempre foi um cara solidário;
Pegou a Funcarte em situação difícil, sem recursos e desorganizada;
As críticas são apressadas e injustas, teve pouco mais de um mês para fazer alguma coisa;
A mudança de nomes do encontro de escritores e da revista Brouhaha não está definida;
Defendeu que turismo e cultura podem ser trabalhados juntos;
Quem quer que seja nomeado para a Funcarte terá de apoiar as quadrilhas estilizadas.

Isso é o que me lembro, pode ser que tenha esquecido alguma coisa. Eu praticamente só ouvi. Como não era uma entrevista, mas um encontro social – e casual – não fiz as interpelações que faria caso estivesse a trabalho. Mesmo assim, avisei-o, ao final, que escreveria sobre o encontro. Disse também que as críticas (em geral, pode ser que haja alguma exceção) não são pessoais. Algumas pessoas que escreveram sobre ele sequer o conhecem pessoalmente e que o gestor público deve aprender a conviver com as críticas.

Lembrei que o papel do jornalista é esse mesmo, de apontar o que está errado, instigar o debate, criticar, independente de quem seja a pessoa ou a profissão. E que esse SP continuará com a linha editorial independente, crítica e plural que mantém desde a sua fundação.

No dia em que isso não for mais possível, fecho e peço para os decanos Carlos de Souza ou João da Mata apagar a luz.

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