As teorias maldosas ou a descrença no Deus criador

Por Rangel Alves da Costa

Ligo a televisão num canal pago e avidamente me atenho às teorias maldosas. Principalmente uma, a denominada Teoria dos Antigos Astronautas, que refuta qualquer participação divina na criação do universo e do poder de realização concedido ao homem, para defender que tudo que há no mundo é obra exclusiva de seres alienígenas.

Assisto avidamente porque me instiga ver e ouvir tantas aberrações partindo de pessoas supostamente inteligentes. Contudo, não sei se alguns daqueles teóricos passariam num teste de sanidade mental. Daí soar até como brincadeira que Giorgio Tsoukalos (FOTO), um pesquisador da formação das antigas civilizações por seres extraterrenos, repita a cada instante que tudo, mas tudo mesmo foi obra de antigos astronautas, dos extraterrestres.

Com o seu cabelo sempre e devidamente espetado para cima, Tsoukalos, que já foi diretor do Centro de Pesquisa de Astronautas Antigos de outro falastrão, o mundialmente conhecido Erich von Däniken (autor de “Eram os Deuses Astronautas?”), vai soltando baboseiras de indignar qualquer pessoa mais consciente. Diz, por exemplo, que descendo dos céus, os seres extraterrestres foram os responsáveis pela criação do universo. Basta ver as civilizações antigas, cujos monumentos são obras de deuses desconhecidos, segundo afirma.

Contudo, não se mostram ateus nem afirmam, com clareza, que Deus nunca existiu nem passa de um mito religioso. Mas não precisaria que fizessem tal afirmação. Suas posições teóricas, ao dar primazia aos deuses desconhecidos como elementos criadores do universo, já mostram suas intencionalidades. Desde o surgimento do homem, sua criação como elemento primordial, aos acontecimentos presentes, nada disso teve a participação da divindade religiosa cristã, mas da ação dos seres espaciais, cujo céu talvez tivesse sido criado também por eles.

E são muitas as teorias, sendo a principal delas, como já firmado, a Teoria dos Antigos Astronautas, defendendo a ação dos deuses ou astronautas antigos na criação do homem e na sua cultura, bem como na formação das antigas civilizações. Seus teóricos, pois, afirmam que o homem foi criação de deuses que visitaram a terra em tempos antigos. Contudo, existe ainda, dentre outras, a Teoria Cosmológica Sumeriana (Zecharia Sitchin), a Teoria do Paleoconto (Carl Sagan), a Teoria da Correlação de Órion (Robert Bauval) e o Movimento Raeliano (a criação dos humanos por uma raça interplanetária).

Tais teorias, contudo, só se expressam e sobrevivem pela instigação humana a tudo que diga respeito aos mistérios das antigas civilizações, ao exotismo prevalecente em diversas culturas, aos fatos ainda inexplicáveis envolvendo o surgimento dos grandes templos e as suas construções megalíticas e, principalmente, o desconhecimento humano. Assim, aproveitando-se destes fatores, os teóricos do absurdo vão criando mundos ao seu mundo e desenvolvendo as mais estapafúrdias explicações.

Os teóricos, entretanto, desenvolvem um esforço descomunal para encontrar elementos que deem sustentação às suas proezas ilusórias. Mais fácil seria o reconhecimento de Deus como o grande criador, com base principalmente nos ensinamentos bíblicos, mas preferem negá-lo e se lançam em aventuras mirabolantes. Daí buscar especialmente nos antigos textos hindus e sumerianos as explicações mítico-fantásticas para o surgimento de tudo.

Verdadeiramente desacreditam na Bíblia e no poder criador de Deus. Negam a Bíblia e se voltam para os obscurantismos contidos em textos antigos e que permitem uma multiplicidade de interpretações. Negam a Deus ao afirmar que o homem, como sua maior criação, não possui força suficiente nem capacidade para o pleno desenvolvimento de suas culturas, bem como para construir os grandes templos que até hoje instigam os pesquisadores. Somente a ação dos deuses extraterrestres para que tudo fosse possível, segundo defendem.

E mais. Num destes programas ouvi que os cérebros privilegiados de Einstein, Platão e todos aqueles reconhecidos como gênios, sofreram influências extraterrestres. E tais pessoas podiam manter contato com inteligências interplanetárias para desenvolver suas teorias e obras. Quer dizer, nem a capacidade mental humana foge às afirmações absurdas desses teóricos alienígenas tresloucados.

E dizem que perguntaram a Giorgio Tsoukalos por que ele mantinha o cabelo assim tão estranhamente penteado, sempre para cima, e dele ouviu que aquilo fugia ao seu desejo. Sempre se penteava normalmente, mais aí vinha um extraterrestre e colocava gel estelar.

 

 

Advogado e escritor

blograngel-sertao.blogspot.com

Comments

There are 11 comments for this article
  1. Danclads Lins de Andrade 23 de Novembro de 2013 11:19

    Sempre defendi o direito de expressão, o direito de defender suas próprias ideias e pensamentos. Voltaire disse, certa vez: “Não concordo com uma palavra sequer que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las”.

    Bem, o texto acima fala de uma maneira como se as pessoas fossem obrigadas – foi isso que eu entendi – a acreditar em Deus. Repito: defendo o direito de cada um se expressar, independente da fé que adote. Se alguém pensa que os ETs estiveram presentes em momentos históricos importantes da humanidade, é o pensamento do indivíduo, o qual pode ser agnóstico, ateu, religioso ou ter qualquer outro pensamento.

    Ninguém é obrigado a acreditar nesta ou naquela teoria, mas é obrigado, isto sim, a respeitar a ideia alheia. E o que vejo ultimamente é uma crescente tendência de alguns fazerem acreditar suas ideias por meio, não do debate, não da ciência, mas de meios pequenos para desacreditar a tese alheia. Não acredito em dogmas, não submeto meu pensamento a “prisões” pré-fabricadas. Defendo o pensamento, a pesquisa, a comprovação de teses.

    Apenas para terminar, cito aqui John Stuart Mill que, em seu “Ensaio sobre a Liberdade” disse:

    “Quando encontramos pessoas que formam uma exceção à aparente unanimidade do mundo sobre qualquer assunto, mesmo que o mundo esteja com a razão, é sempre provável que dissidentes tenham algo digno de ser ouvido que fale por eles, e que essa verdade perderia alguma coisa através de seu silêncio”.

  2. Rangel Alves da Costa 24 de Novembro de 2013 6:16

    Danclads de Andrade, o Giorgio Tsoukalos tem razão, você também é extraterrestre.

  3. Marcos Silva
    Marcos Silva 24 de Novembro de 2013 9:08

    Danclads, Millor Fernandes, nos anos 70 (ditadura braba), revisitou essa máxima mais ou menos assim: “Não concordo com uma palavra sequer que dizeis mas defenderei até o morte o vosso direito de não as dizer”.

  4. Danclads Andrade
    Danclads Andrade 24 de Novembro de 2013 11:06

    Rangel, só falei da liberdade de expressão. Nem te conheço e me chamas de ET? Bem, se defender a liberdade de expressão passou a ser algo extraterreno, eu sou ET.

    Paz.

  5. Danclads Andrade
    Danclads Andrade 24 de Novembro de 2013 11:07

    Marcos, seu comentário sempre é oportuno, Abraço.

  6. Anchieta Rolim 24 de Novembro de 2013 16:11

    Danclads, te espero aqui na Alfa Centauro, não esqueça a encomenda…Um abraço, meu amigo!.

  7. Emiliano Vargas 24 de Novembro de 2013 16:40

    O meu problema em relação a deus é a sacanagem daquele com todos nós. Deus pelo que podemos perceber, não se importa se eu sobreviva ou não, ele parece preocupar-se, exclusivamente, com a espécie, o que se não fosse trágico para mim seria pura sacanagem, de toda forma duas opções terríveis. Ora, ora, se Deus não se importa comigo como individuo, por que eu, um indivíduo, haveria de se importar com a pessoa dele ?.

  8. Rangel Alves da Costa 24 de Novembro de 2013 20:58

    Danclads, mesmo não o conhecendo, prazer em conhecê-lo.
    Em primeiro lugar, Voltaire nunca disse ou escreveu algo assim. Na verdade, em correspondência com o filósofo, Evelyn Beatrice Hall (que escreveu sob o pseudônimo de SG Tallentyre a biografia de Voltaire) rebateu algumas de suas considerações e afirmou que não concordava com suas opiniões, mas defenderia até o último instante o seu direito de assim se expressar.
    Em segundo lugar, lançar mão de um princípio tido como de liberdade de expressão para criticar a liberdade de expressão de alguém, não nos parece uma posição acertada. Desse modo, você, Danclads, se posicionou contra minhas opiniões discordantes de outras opiniões, mas o fez exatamente contradizendo ao que havia afirmado na frase que atribui a Voltaire.
    Ora, se alguém pode defender teses no sentido de minimizar ou negar a existência de Deus, não vejo que outras pessoas tenham que aceitar tais assertivas somente porque aquele tem o direito de dizê-las. Dizer e ouvir são totalmente diferentes de aceitar. Lógico que possui o direito de afirmar o que bem entender, mas ninguém está forçado a aceitar o dito.
    A crítica feita ao meu texto foi exatamente querendo dizer que eu não poderia negar – pelo fato de que eles têm o direito de dizê-las – as teses levantadas acerca dos astronautas antigos ou dos deuses extraterrestres. Então, eu não posso contradizer, mas você pode contradizer o que digo.
    Quer dizer, Danclads inverteu a máxima para diminuir meu escrito, ao tempo que com a mesma defendeu a tese dos antigos astronautas. Neste sentido, com relação ao que escrevi, a máxima seria: Não concordo com uma palavra do que dizeis, e nem tem o direito de dizê-la porque a verdade está com eles.
    Ademais, defende a prevalência de fatos comprovados como se as teses lançadas pelas teorias dos deuses extraterrestres estivessem confirmadas pela ciência. Por fim, acaba jogando no lamaçal esse espaço inteligente e privilegiado que é o Substantivo Plural, ao afirmar: “o que vejo ultimamente é uma crescente tendência de alguns fazerem acreditar suas ideias por meio, não do debate, não da ciência, mas de meios pequenos para desacreditar a tese alheia”. Ou será que a pequenez está no meu escrito?
    Saiba que debates interessantes e proveitosos também surgem dos diálogos, dos pequenos escritos, eis que nada nasce já tão vultosamente concebido.
    Por fim, pensei que defenderia até o fim o meu direito de expressão. Mas tem razão. É apenas um escrito que não merece crédito algum.

  9. Alex de Souza 24 de Novembro de 2013 23:07

    Acreditar nessas teorias dos antigos astronautas é algo tão absurdo quanto, deixe-me ver, acreditar em deus.

  10. Murilo Piva 1 de Março de 2014 13:05

    Só gostaria de compreender, se o Universo é infinito, qual a razão para perder a fé em Deus, caso fique comprovado que extraterrestres estiveram na Terra? Não seria soberba humana achar que somos os únicos neste Universo Infinito? Toda história e todo costume que conhecemos, até o momento, fomos nós, humanos quem criamos. Os caminhos de Deus… só Ele conhece. Enfim, não vejo como incompatíveis, a existência de Deus e seres de outro conto do Universo…

  11. Calebe Pereira 10 de Junho de 2015 21:56

    Então cara,eu acredito que a criação do mundo por Deus e a criação do mundo através do big bang,mesmo sendo teorias bem distintas uma da outra,podem juntar-se. Segundo a bíblia, Deus disse “Haja luz,e houve luz”. Seria possível que se a luz ser criada,houve a explosão do big bang? Há uma pequena chance de isto ser verdade,mas isto é pouco falado,pois geralmente quem acredita na teoria do big bang, são aqueles que não acreditam em Deus. E os que acreditam que o mundo foi criado apenas por Deus,são aqueles que não acreditam na teoria do big bang. Ou seja,talvez estamos sendo muito ignorantes em pensar que o que nós achamos é o certo e que não há outra possibilidade de criação do mundo a não ser a que nós respeitamos.

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