As várias faces da (web) poesia

O uso da internet pelos novos poetas entra na reflexão sobre o gênero

Por Raquel Cozer
ESTADÃO

Questão inimaginável para gerações anteriores da poesia, o arquivamento da produção espalhada por sites, blogs e redes sociais hoje merece reflexão. Afinal, na década em que os diários virtuais se popularizaram no Brasil, boa parte dos versos disponibilizados online nunca chegou ao papel – um dos motivos pelos quais é tão pouco estudada a poesia feita na última década. “Torna-se difícil mapear a produção ciberpoética se não tivermos uma estratégia de preservação para arquivar o material que existe na internet”, diz o cearense Aquiles Alencar Brayner, curador do acervo latino-americano da British Library, no Reino Unido. Prestes a concluir mestrado sobre arquivos digitais, Brayner dará palestra a respeito na terceira edição do Simpoesia, encontro internacional que acontece do próximo dia 5 ao 7 na Casa das Rosas, em São Paulo.

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Tive uma uma grata surpresa lendo essa reportagem: a poeta potiguar Marize Castro é uma das convidadas do Simpoesia.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Jota Mombaça 24 de outubro de 2010 19:46

    (web) poesia. (web) poeta ligado na linguagem dos (web) viventes, incorporando a velocidade da rede, construindo e destruindo seus volúveis alicerces, supervelocidade, esquecimento, largamos versos pelo espaço, quase como quando falamos e o som se dissipa para o ar; para a arquitetura; para as cabeças; para as cadeiras; para as portas…, vamos entranhando a nova sintaxe – a do descompromisso – para acompanhar, mas sem nunca dar as mãos, o neologismo semântico – estes termos dizem o que digo quase independentemente do que quer que digam -, altero a ordem, heterodoxo, (sub)verto minhas lágrimas em html, tudo passa por mim e em mim as coisas não são mais as mesmas e eu quando as escrevo já vomito uma terceira coisa, astuciosamente pessoal, mas que te abarca, que te abrange, que te arrebata, porque somos comuns em qualquer medida, freqüentamos o mesmo continente e somos nós mesmos a imatéria dele, deste continente onde talvez ninguém veja nada mas onde qualquer um poderia ver qualquer coisa, aqui a gente (quase) se governa, porque podemos apontar para as direções que quisermos – quando escancaramos as entrelinhas, quando dizemos o que se diz. eu sou o novo e portanto não tenho compromisso nenhum com a novidade e no entanto ela me ultrapassa, como a vida em tom zé e rita lee, por qualquer rota que eu faça. todos somos poetas neste mundo, até mesmo eu que teço um fio de várias pontas, todas as pontas, um texto rizoma: será? não sei, não tive ainda tempo hábil para ler deleuze…

  2. João da Mata 24 de outubro de 2010 18:37

    Acorda Jarbas:

    Até quando voce vai ficar falando de um trio da década de 60. Do café S. Luiz e de uma Natal que nao mais existe.

    A literatura potiguar é muito maior e voce precisa revê valores.

    A memória muitas vezes esquece e fala de coisas mortas

  3. Jarbas Martins 24 de outubro de 2010 17:08

    Em um ensaio seguido de uma pequena antologia (“14 versus 14”,Natal, ed.Boágua, 1994), eu dizia que poesia norte-rio-grandense era envergonhada e recessiva, não se mostrava.Há que se repensar, no contexto digital de hoje, essa afirmação feita no final do século passado.De qualquer maneira, poetas como Ferreira Itajubá e Jorge Fernandes, ou Moysés Sesiom, para ficar apenas em três nomes da primeira metade do século XX, expressarão sempre essa visão localista e provinciana, que tanto deliciava o crítico e historiador Luís da Câmara Cascudo.E estarão condenados a conviver com a inovação, de cunho universalista, do Simbolismo de Henrique Castriciano, e com a Vanguarda de Moacy Cirne,Dailor Varela e Anchieta Fernandes.A poética pós-marginal de Marize Castro e a infopesia de Avelino de Araújo adentrarão o século XXI.

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