“Assassinato premeditado”

“Em conversa divulgada em vídeo pela blogueira cubana Yoani Sanchez, que se tornou uma das principais vozes da dissidência na ilha, a mãe do ativista Orlando Zapata Tamayo afirma que o filho, que morreu na terça-feira após 85 dias de greve de fome , foi vítima de um “assassinato premeditado”. Na gravação feita pela blogueira, Reina Tamayo pede que o mundo lute pela libertação de outros presos políticos para que a história de seu filho não se repita. Parte dos 75 cubanos presos junto com Zapata Tamayo na chamada Primavera Negra, de 2003, havia pedido por carta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intercedesse em favor do ativista , mas o brasileiro chegou a Cuba pouco depois de sua morte e não vai se encontrar com a oposição.

– Ele será velado em minha casa até a hora que for necessário. Digo assim ao mundo que essa é minha dor. Acredito que meu filho perdeu a vida num assassinato premeditado. Meu filho foi torturado durante todo o tempo em que esteve na prisão. Isso foi objeto de sofrimento para os parentes e objeto de tortura para essa família – diz a mãe do ativista no vídeo.

De acordo com Yoani Sanchez, um cordão de agentes de segurança protegia o departamento de Medicina Legal para o qual o corpo do ativista foi levado, e onde aconteceu a conversa com Reina Tamayo.

– Eu, com minha dor profunda peço ao mundo que busque a liberdade dos demais presos e irmãos que se encontram encarcerados injustamente para que não volte a acontecer o que ocorreu com meu filhinho – pede Reina Tamayo.

De acordo com Laura Pollán, do grupo de mulheres de presos políticos Damas de Branco, Zapata Tamayo morreu em um hospital de Havana para onde foi levado às pressas na noite de segunda-feira, quando foi registrada piora em seu estado de saúde. As causas da morte ainda não foram esclarecidas. Após a confirmação do falecimento, Yoani acusou as autoridades de tentar sufocar a repercussão sobre o caso.

“Meu telefone de casa está mudo. Uma maneira de evitar que a indignação gerada pela morte de Zapata Tamayo reverbere”. (O Globo)

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