Até quando me fere…

Foto de Valdemir Cunha (aqui)

Abraço minha terra até quando ela me escorraça. Amo cada lugar dela até quando ela me destrata. E se houve tempo em que por ela eu morreria, não posso desprezá-la agora, quando ela me maltrata. O que lhe fiz, terra minha, de tão ruinoso, que possa afiar suas garras e tentar ferir-me onde nenhum inimigo antigo conseguiu chegar?  Beijo-lhe o ventre, ó desgraçada terra. Esse amor doentio, que lhe entrega tudo, também lhe oferece o rebenque e o lombo à insaciedade da sua injúria. E quando alguém de longe me oferecer justiça, eu vou esconder a ferida do seu ferro ingrato. Para que no meu afeto por você  não apareça além do amor a mancha da própria terra desgraçada.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 13 de maio de 2011 13:19

    a poesia passa por tua voz, carregada de indignação e dor, e lembra-me um verso do peruano césar vallejo, revolucionário e teluricamente preso à sua espoliada pátria:” por que é que batem tanto em minha alma?” (tradução livre minha).abraços, poeta.

  2. Geraldo Alves S. Júnior 12 de maio de 2011 22:22

    Sua fé na justiça é maior do que seu amor pela terra, e menor do que sua desilusão com os canalhas. De toda forma não se desespera, espera, não espera, brada, luta e se exaspera. Bravo François, quem luta por justiça luta pelo homem, luta por mim. Aceite meus cumprimentos..

  3. chico m guedes 12 de maio de 2011 20:14

    frança, eu achava
    que já tava calejado demais dessa história
    para ainda ser desarmado assim

  4. Jota Mombaça 12 de maio de 2011 17:56

    chora,
    que só teu choro pra fazer este sertão oceanar.

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