Ativista saudita recebe prêmio internacional

Por Karima Idrissi e Jannie Schipper
Da Radio Bederland Wereldomroep

A ativista saudita Samar Badawi recebe esta semana, juntamente com nove outras mulheres, o prestigioso prêmio Women of Courage Award, concedido pelo Ministério de Relações Exteriores dos EUA. Ela ficou conhecida internacionalmente em 2010 porque seu pai mandou prendê-la por ‘desobediência’. Recentemente, ela iniciou um processo contra as autoridades de seu país por não poder tirar carteira de motorista.

Samar Badawi pediu ao departamento de trânsito de sua cidade, Jedá, uma carteira de motorista. Depois que o pedido foi recebido oficialmente, Badawi telefonou durante dois meses diariamente ao ministério responsável para saber qual era a situação do pedido.

A resposta, segundo a jovem saudita: insultos e tratamento grosseiro. Badawi apresentou então uma queixa contra o Ministério do Interior. É o mais novo passo na luta das mulheres sauditas para poder dirigir, depois de petições, carreatas e prisões ocorridas anteriormente. A ativista Manal al-Sharif, que foi presa no ano passado quando ir dirigir, também apresentou uma queixa.

Direito a uma vida própria

Para Samar Badawi, dirigir simboliza o direito de liberdade de ir e vir das mulheres sauditas. “Hoje uma mulher não pode andar sozinha na rua ou ir a instituições oficiais para providenciar documentos ou viajar”, diz Badawi. “Acho que o Estado não quer dar às mulheres o direito de viajar porque com isso a porta estaria aberta para que exigissem outros direitos”, disse ela à Rádio Nederland.

Badawi tem experiência com o direito a uma vida própria, e principalmente com a limitação deste direito. Em 2010, ela esteve nas primeiras páginas dos jornais quando, sem um devido processo, acabou passando meses na prisão. Por quê? Porque desobedeceu a seu pai – e isso aos 30 anos.

Pai versus filha

“Minha mãe morreu quando eu tinha 13 anos”, conta Badawi. “Meu pai me bateu, me insultou e me pôs pra fora de casa.” Mesmo quando ela se casou e teve um filho, o pai continuou se metendo em sua vida. O casamento terminou em separação e Badawi voltou a viver com seu pai. Na Arábia Saudita, é costume que o homem tenha a guarda da mulher e que o pai seja novamente responsável por ela depois de uma separação. Mas os maus tratos recomeçaram.

Quando ela foi com seu filho para um abrigo para mulheres e decidiu iniciar um procedimento para que seu pai não tivesse mais custódia sobre ela, ele apresentou uma queixa por ‘desobediência’. Um dos argumentos: Samar tinha assinado uma petição para que mulheres tivessem o direito de dirigir. Depois que uma primeira queixa – também contra o irmão de Samar, que apoiava sua irmã – foi rejeitada, o pai tentou mais uma vez e encontrou um juiz conservador que lhe deu razão. Badawi foi para a prisão sem um processo justo

Graças a ações internacionais, ela foi libertada depois de sete meses. Ela agora está sob custódia de seu tio e não mais de seu pai. Pouco tempo depois ela voltava às manchetes exigindo o direito, como mulher, de votar. Isso foi em abril de 2011. Alguns meses depois o rei saudita anunciaria que em breve as mulheres teriam direito ao voto.

O que é mais ‘imoral’?

Samar Badawi agora aguarda a decisão do tribunal sobre sua queixa a respeito da carteira de motorista. “E se não for aprovada exigirei uma explicação.” Ela combate os argumentos religiosos e sociais contra a mulher na direção com argumentos religiosos e sociais a favor disso: “Sou mãe e trabalho, e não tenho um chofer. O que então é mais arriscado ou mais imoral: que eu me sente no carro com um homem desconhecido ou que eu mesma dirija?” O problema são sempre os homens, diz Badawi: “As mulheres querem, mas o marido, pai ou irmão têm medo das autoridades ou do que os outros irão dizer.”

Isso já não vale para ela. Em todas as suas ações judiciais, Badawi é assistida pelo advogado de direitos humanos Walied Abou Khair, com quem acabou se casando. “Meu marido é meu suporte e âncora”, diz Badawi. “Quando, no primeiro grande dia de manifestação (17 de junho), fui dirigir e liguei para ele para contar, ele foi o primeiro a me encorajar.”

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