A atualidade de”Chatô, o rei do Brasil”

A poeta Carmen Vasconcelos avisou que não gostou. O que já me deixou com um pé atrás. Mas eu sou igual a São Tomé. E lá fui eu assistir “Chatô, o rei do Brasil”, dirigido pelo Guilherme Fontes, inspirado, reparem, inspirado e não baseado, na biografia homônima escrita por Fernando Morais. Um livro que li há tanto tempo que me recordo de pouca coisa, entre essas, a vez em que Chatô esteve no interior do RN, acho que em Currais Novos.

Fui com os amigos Demétrio, Braga e Bosco. Demétrio só aguentou uns 30 minutos e saiu reclamando, dizendo que não aguenta mais filme ruim – rs. Nosotros resistimos bravamente e fomos até o final.

Quem não conhece a história brasileira do século passado terá dificuldades em se situar em algumas passagens do filme. Por exemplo, o episódio da Rua Toneleros (atentado a Lacerda), que é enfocado de raspão.

Outra dificuldade é a narrativa não linear, a opção escolhida pelo diretor para contar a vida do jornalista. O que levou Demétrio a desabafar no WhasApp que trata-se de um amontoado de cenas juntadas apressadamente pelo diretor. Não senti isso assim tão fortemente, não fiquei incomodado com essa não linearidade narrativa.

Achei interessante a forma paródica, carnavalesca, meio “esculhambada” da narrativa, que na minha opinião reflete o espírito de esculhambação do país e que continua atual. “Chatô…” me fez lembrar Macunaíma, o livro e o filme, o que tem sua lógica, visto que o jornalista paraibano foi um dos maiores macunaímas que esse país gerou. E também Eduardo Cunha e o surrealismo vigente  no Brasil, o que dota o filme de uma atualidade surpreendente.

Quanto à opção do diretor por contar a história cheia de idas e vindas temporais, não vi como problema. Acho que ele foi corajoso e arriscou. O resultado agradou a alguns e desagradou a outros.

Não saí do filme com a sensação de ter perdido o dinheiro, ao contrário do poeta de Alexandria. Em síntese, o filme me divertiu.

Abaixo dois links com opiniões diferentes sobre o filme:

FSP

SPlural

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