“Auch wir wollen sein” / “Também nós queremos estar”

Paul Celan
tradução de João Barrento

Também nós queremos estar
onde o tempo diz a palavra-limiar,
o milênio emerge da neve, remoçado,
o olhar errante
descansa no seu próprio espanto
e cabana e estrela
vizinhas se destacam no azul,
como se o caminho já estivesse percorrido.

*********

Auch wir wollen sein,
wo die Zeit das Schwellenwort spricht,
das Tausendjahr jung aus dem Schnee steigt,
das wandernde Aug
ausruht im eignen Erstaunen
und Hütte und Stern
nachbarlich stehn in der Bläue,
als wäre der Weg schon durchmessen.

CELAN, Paul. A morte é uma flor. Poemas do espólio. Edição bilingue. Tradução, posfácio e notas de João Barrento. Lisboa: Cotovia, 1998.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Jarbas Martins 4 de março de 2012 12:23

    Hai-cai: só. bóia na superfície/ este poema de Celan/ cristal difícil.

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