Ausência de “Salve Geral” no Oscar não é notícia

“No jornalismo, há uma velha definição para o que é ou não notícia: um homem que morde um cachorro é; um cachorro que morde um homem não é. Algo parecido vale para o Brasil no Oscar: um filme brasileiro indicado ao Oscar é um homem mordendo um cachorro; um filme não indicado é um cachorro mordendo o homem.

Ou seja, a não-indicação de “Salve Geral” ao Oscar de melhor filme estrangeiro não é notícia. Nos 82 anos de história da premiação, o cinema brasileiro foi indicado quatro vezes nessa categoria (“O Pagador de Promessas”, “O Quatrilho”, “O que é Isso, Companheiro” e “Central do Brasil”). E mais algumas poucas vezes em outras categorias, como a de melhor atriz para Fernanda Montenegro por “Central do Brasil” ou as indicações de melhor direção, roteiro adaptado, edição e fotografia para “Cidade de Deus”.

Ou seja, nossa tradição é a ausência. O que deveria desestimular grandes expectativas antes e grandes frustrações depois nessa época de Oscar. Especialmente quando o filme não é lá grande coisa e não tem o “perfil” dos eleitores da categoria de melhor filme estrangeiro, que costumam rejeitar trabalhos relacionados à violência. Sem problemas: ficar de fora não é o fim do mundo, estar dentro não seria a salvação da lavoura.

A não-indicação de “Salve Geral” ser tratada como notícia revela que ainda nos achamos um povo predestinado – e também injustiçado. É um pouco como tratar o fato de não ganhar uma Copa do Mundo como uma tragédia nacional. Só que pior, porque na história do futebol somos protagonistas; na do Oscar, fazemos ponta”. Ricardo Calil  – IG

ao topo