“Ausente”, de Magno Catão

Silenciado no que tem

de laço flutua o dia.

 

Silenciadas no que tem

de cacto, atmosfera, raiz

descansam as suas arestas.

 

Partidas úmidas

me abraçam

com dedos de alga.

 

Portos de sal abarcam

o que ainda há

de tábua, vidraça e âncora.

 

Anéis e pulseiras voam,

roupas velhas se queimam

solitárias. Uma casa deserta

desaba suas pilastras.

 

Vou-me esquecendo

de que até as nuvens

deixam rastros.

 

Vou-me olvidando

do nascimento das formas

belas e mudas.

 

Vou diminuindo

o que de etéreo

sopra o vento

 

(em sua larga

e estranha

permanência).

 

Imagem: Reprodução do quadro “Homme noir et femme chamuscar”, de Leonor Fini

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