BAALBECK

esses cacos que coluna
monumentos desmembrada
carne e osso desmemórias
despoderes do humano

cicatrizes acidente
carregaram pedra e mando
o mundo já não parava
entre uma guerra e nada

sobraram os grãos inseto
efêmera crença em sempres
ruga paisagem já mortas
olhar de quase interrogam

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 14 de dezembro de 2010 11:45

    estás aprendendo a fazer poesia com pedrinhas na boca, marcos ? você é o meu pós-cabral.e é como sempre digo por aqui: o sertão está em toda grande poesia que gosto: ungaretti, vasko popa,joão cabral e mallarmé que, em dia entediado, deixou escapar este verso :”foi por mim, foi por mim, que floresci, deserto” (tradução minha).

  2. Gustavo de Castro 12 de dezembro de 2010 21:04

    um poema de pedra, cabralino, forte, duro, dificil. elaboradíssimo, marco, li, reli treli as cicatrizes que carregam pedra e mando, sobraram os insetos e os grãos…o tempo é um olhar que interroga, ruga. esse poema não dá samba?

  3. Lívio Oliveira 11 de dezembro de 2010 20:25

    “o mundo já não parava
    entre uma guerra e nada”

    Certamente, um poema quentinho, prezado Marcos.

    Pelo que li, as atuais ruínas da cidade histórica de Baalbek já foram chamadas um dia de “Cidade do Sol”, Heliópolis.

    Amamos todos o sol. De um lado ou do outro desse velho mundo.

    E brindemos a Baco por mais essa bela coincidência!

    Abraço.

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