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Bachianas Brasileiras: Meu Nome é Villa-Lobos

Re-assisti nesse final de semana ao filme “Bachianas Brasileiras: Meu Nome é Villa-Lobos”, de 1979. Filme que reconstitui a vida do maior compositor brasileiro de todos os tempos. Com direção de José Montes-Baquer, protagonizado por Rildo Gonçalves no papel de Villa Lobos, Amilton Monteiro, Sérgio Mamberti e Monique Lafond.

Villa Lobos foi um grande nacionalista que soube colocar no pentagrama toda a riqueza do nosso folclore e exuberância de nossas florestas. Para pesquisar sobre nossos ritmos, ele vasculhou o Brasil de norte a sul recolhendo nosso rico patrimônio sonoro e transformando em música orquestral e de concertos uma usina de sons e cores.

Um rebelde reverenciado por grandes músicos e interpretes. Um dos maiores compositores da América. O roteiro do filme “Bachianas Brasileiras” foi baseado no livro do seu grande biógrafo, Vasco Mariz.

Ouvi comovido aos depoimentos de Arthur Rubinstein, Segovia, Copland e outros músicos que se renderam á genialidade do brasileiro. Grandes intérpretes que tocaram a música de Villa no mundo inteiro. Ele é mais conhecido lá fora que no Brasil.

Villa que também conviveu com os grandes chorões e compositores populares do Brasil. Suas composições para violão fazem parte do repertório dos maiores violonistas do mundo e tem no músico brasileiro Turíbio Santos um dos seus principais interpretes.

A música de Villa está impregnada de Brasil e foi a nossa grande representante sonora no concerto das artes da semana de 22.

“Sim, sou brasileiro e bem brasileiro: não ponho breques nem freios nem mordaças na exuberância tropical das nossas florestas e dos nossos céus, que eu transporto instintivamente para tudo que escrevo” (Villa Lobos)

Um compositor único que compôs em todos os estilos. Sinfonias, Concertos, Bachianas Brasileiras (presente na trilha sonora do filme), Choros, Serestas, Bailados, Poemas Sinfônicos e a encantadora “Floresta Amazônica”. Sua música de Câmera é monumental com destaque para os 17 Quartetos de Cordas que ouço na gravação da Kuarup. As nove Bachianas Brasileiras estão entre as suas composições mais inspiradas. São grandiosas e formam uma grande catedral sonora com as cores do Brasil e seus músicos fabulosos.

Uma bela parceria entre Villa Lobos e a poeta Dora Vasconcelos resultou no disco “Floresta do Amazonas”. Músicas eternizadas nas vozes das cantoras Atenilde Cunha, Bidu Sayão, Bethânia e Maria Lúcia Godoy.

Nesse disco, algumas das canções mais belas do nosso cancioneiro que teve no mestre Villa Lobos seu maior e mais completo interprete do Brasil.

Canção de Amor
Heitor Villa-Lobos – Dora Vasconcelos

Sonhar na tarde azul
Do teu amor ausente
Suportar a dor cruel
Com esta mágoa crescente
O tempo em mim agrava
O meu tormento, amor!

Tão longe assim de ti
Vencida pela dor
Na triste solidão
Procuro ainda te encontrar
Amor, meu amor!

Tão bom é saber calar
E deixar-se vencer pela realidade
Vivo triste a soluçar
Quando, quando virás enfim?

Sinto o ardor dos beijos teus
Em mim. Ah!
Qualquer pequeno sinal
E fremente surpresa
Vem me amargurar

Tão doce aquela hora
Em que de amor sonhei
Infeliz, a sós, agora
Apaixonada fiquei
Sentindo aqui fremente
O teu reclamo amor!

Tão longe assim de ti
Ausente ao teu calor
Meu pobre coração
Anseia sempre a suplicar
Amor, meu amor!

Melodia Sentimental
Heitor Villa-Lobos – Dora Vasconcelos

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que fulge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo o meu sonhar

As asas da noite que surgem
E correm no espaço profundo
Ó, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar

Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor

Acorda, vem olhar a lua
Que brilha na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar

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João da Mata

Comentários

2 comments

  1. João da Mata 11 abril, 2016 at 15:46

    email recebido

    Bom dia Professor João da Mata

    Li seu artigo “Bachianas Brasileiras: Meu Nome é Villa-Lobos” no Substantivo Plural e gostei muito.

    Tentei, sem sucesso, adquirir o respectivo filme (mesmo via internet).

    Sou professor universitário em Volta Redonda – RJ e gostaria muito de exibi-lo para os alunos. O senhor sabe como posso consegui-lo ?

    Atenciosamente,

    José Flávio Silveira Feiteira

  2. Beatriz Guerra 23 agosto, 2018 at 09:45

    Olá! Eu gostaria imensamente de poder assistir a esse documentário, mas não encontro disponível em lugar algum na internet.
    Gostaria saber se você possui algum link para baixar esse filme.
    Abraço!

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