BAIRRO ALTO

Paulo de Tarso Correia de Melo

Quero o que possa haver
na secura de teu jeito
que eu possa transformar
em ternura no meu peito.

Quero até o amanhecer
na quentura de teu leito
ouvir-te me reprovar
todo o mal dito e o bem feito.

Voltarei ao anoitecer
à procura do direito
de insistir em retirar
do imperfeito, o perfeito.

Do Livro de Linhagens, que será lançado nesta quinta-feira (01) às 18 horas na Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Comments

There are 3 comments for this article
  1. Aguinaldo Maciel 1 de Setembro de 2011 21:43

    Poesia é isso. O que não é isso pode até ser esterco ou verso, mas não é poesia!

  2. Marcos Silva
    Marcos Silva 2 de Setembro de 2011 1:55

    Esse poema se encerra com uma espécie de tratado estético: retirar do imperfeito o perfeito. A aparente simplicidade da escrita (vocabulário cotidiano, tema tão direto) contém sutis tensões da Poesia: esses versos, aquele título, uma alusão descritiva que se metamorfoseia em profunda introspecção.
    Paulo é um ótimo escritor e seu novo livro – como os anteriores – traz novas luzes da palavra. É Poesia porque nos escreve sem nem o sabermos. Ficamos sabendo, extasiados, depois que o lemos.

  3. C M Phelan 2 de Setembro de 2011 9:37

    Belo poema.

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