Balanço literário de um ano poético

Poesia, crítica, ensaio, romance, conto, todos os gêneros literários saíram um pouco mais ricos do ano de 2012. Sem pretender fazer análise exaustiva neste canto de página, destacamos alguns lançamentos que tivemos a oportunidade de comentar ao seu devido tempo. A messe mais fecunda foi a da poesia, a começar pelo lançamento do tão esperado “Romanceiro Potiguar”, postumamente, de Deífilo Gurgel. A ele se seguiram os livros “Misto Códice” (Sarau das Letras), de Paulo de Tarso Correia de Melo, “Matinatta”, do pernambucano Fernando Monteiro (Sol Negro) e “O Teorema da Feira” (edição do autor), de Lívio Oliveira.

Registramos ainda nesse gênero a repercussão da poesia de Marize Castro nos jornais “Rascunho” e “Estado de S. Paulo”, um sarau poético no Recife em homenagem a Alberto da Cunha Melo, seguido do lançamento do livro póstumo “Cantos de Contar” (Paés), o relançamento dos livros “O Tempo da Solidão” e “O Livro de Tânia” (volume único da Sol Negro), de Walflam de Queiroz, e “Memória Viva de Zila Mamede” (NossaEditora/Sebo Vermelho). A esse balanço poético não poderíamos deixar de registrar o comentário que fizemos sobre a morte de Dailor Varela, poeta que sonhava com viver de poesia, mas que teve de valer-se do jornalismo a vida toda para sobreviver; a apresentação do soneto “Solidão”, de Deífilo Gurgel, por sua vez, valeu como homenagem a esse autor, outra perda sofrida pela nossa poesia este ano.

No gênero ficcional, ficaram registrados o romance histórico “Cidade dos Reis”, de Carlos de Sousa (FOTO), e “O Livro de Alice N.” (Sebo Vermelho), contos de Celina Muniz; no campo da literatura infantojuvenil, foram noticiados os livros “Cascudinho, o Menino Feliz”, de Diógenes da Cunha Lima e Christine T. da Cunha Lima, e “A Onça Braba e o Cachorro Velho” (Bagaço), livro póstumo de Bartolomeu Correia de Melo. Bartolomeu, aliás, foi homenageado por um outro título da Editora Bagaço, “Louvor de Bartolomeu Correia de Melo”, organizado por Manoel Marques Filho e por este colunista. A obra reúne parte da fortuna crítica publicada em torno do autor de “Lugar de Estórias”. A dramaturgia teve ao menos um registro: “Chão dos Simples, a peça”, escrita pelo ator Lenício Queiroga com base no livro de contos homônimo de Manoel Onofre Jr.

A atividade crítica foi responsável por dois lançamentos: “Alguma Prata da Casa” (Nave da Palavra), do crítico Manoel Onofre Jr., e “Nei Leandro de Castro: 50 anos de atividades literárias” (Sebo Vermelho), obra organizada por Chumbo Pinheiro, Fátima Lima Lopes e Thiago Gonzaga.

A coluna registrou ainda o trespasse do escritor e acadêmico Enélio de Lima Petrovich, que dirigiu ao longo de mais de 30 anos os destinos do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e que deixou atrás de si uma obra literária fragmentária e circunstancial, totalizando cartas, prefácios, impressões de viagens etc.

Enfim, não passou despercebida a esta coluna a abordagem que a Revista do TCE (v. 13, n. 1, 2011) fez sobre o escritor Luís da Câmara Cascudo na visão de três de seus estudiosos potiguares: Sanderson Negreiros, Vicente Serejo e Diógenes da Cunha Lima, bem como a celebração dos 45 anos do poema-processo, capitaneado por J. Medeiros, Anchieta Fernandes e Falves Silva.

Estatisticamente, portanto, este ano que está prestes a acabar foi caracterizadamente poético, ao menos sob a óptica desta coluna, mas sem se furtar à percepção do romance, do conto, do ensaio e da crítica, o que lhe conferiu uma visão mais pragmática do período, seja pela abundância de títulos, seja pelos exemplos pontuais. Sob essa perspectiva, nossa literatura segue a lógica evolutiva das demais, sem renunciar, todavia, à busca de seu próprio caminho.

Jornalista, escritor e crítico literário. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. horácio oliveira 7 de janeiro de 2013 15:44

    Prezado Nelson,

    O poeta Ferreira Itajubá teve sua obra reeditada pelo Sebo Vermelho, em um ano marcado pelo centenário de sua morte que, por sinal, passou em branco.

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