Bananada aumenta ainda mais o nível dos festivais independentes do Brasil

Goiânia tem muitas semelhanças com Natal. Festivais independentes acontecendo com frequência, ótimas bandas de vários estilos diferentes, selos atuantes, casas para música autoral e a lista de semelhanças vai longe.

Passei a semana inteira imerso na programação de um dos maiores festivais de música da cidade e não há como não ver que atividades como essa mudam o clima do lugar onde ela acontece. O Festival Bananada foi assim, fez até chover no seco e desértico clima de meio de ano no centro-oeste.

Durante a semana o festival invadiu diversas casas e teatros da cidade, além de um maravilhoso festival gastronômico que aconteceu simultaneamente, atrelado à programação musical. Já na segunda deu para ver os shows maravilhosos do Mahmundi (o futuro da música pop no Brasil) e do Thiago Pethit, no Teatro do Sesi, e visitar o El Club, uma das salas mais legais para se ouvir música eletrônica que já visitei, sem frescura, com pessoas incríveis e vibe muito boa. Que lugar!

Na terça visitei mais uma dessas micro-salas que são tão importantes para disseminar música nova nas cidades (já fizemos texto sobre isso por aqui). Goiânia tem pelo menos duas dessas salas: o República e o Complexo. Fui na segunda, assisti e conheci uma nova paixão: o Catavento (RS). Pra quem gosta dessa onda newrockdirt tipo Ty Segall e Mac De Marco, corra nesses guris. Muito bom.

Quarta e quinta visitei o Diablo Pub, sala maior, com equipamento excelente e cara de pub europeu. Mais dias de rock para destacar os ultra-pesados Institution (SP), SuperCordas (SP) e Mahmed (RN), nosso representante #rnrock no Bananada (sempre tem bandas potiguares nos festivais independentes; ponto para gente).

Sexta chegou o dia de visitar o enorme Centro Cultural Oscar Niemeyer e não tem como não se impressionar com a estrutura montada para receber o Festival Bananada por lá. Dois palcos enormes para shows, um outro menor para bandas novas e uma enorme diversidade de comida, drinks e atividades além música, como pocket de tatuagem, área infantil, tendas de nova moda e por ai vai. Coisa para 10.000 pessoas por dia.

Demorou para esquentar a sexta e os primeiros shows tiveram pouca audiência. Se destacaram Yonatan Gat (camarada de Israel que tinha uma banda bem doida chamada Monotomix), o lindo show da Juçara Marçal e Supercordas. Um elétrico e bem humorado Jorge Benjor fechou a programação da sexta para um público próximo a 7.000 pessoas. O homem é um metralhadora de hits e para não deixar nada de fora toca metade de cada música para atender todos. O homem de “Tábua de Esmeraldas” é um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos e continua fazendo jus a fama de ser um baile ambulante onde quer que passe. Memorável e histórico, belo momento!

No sábado a tendência era ter um pouco menos de público por não ter um headliner pesado para fechar a noite. Devem ter aparecido umas 4.000 pessoas ao todo, mas com um público mais atento às bandas novas que no primeiro dia. O clima era o melhor possível e nem a chuva torrencial que caiu um pouco antes da arena abrir esfriou o rolê! A Casa do Mancha, local do micro palco do festival, ferveu a noite toda chegando no auge na hora do maravilhoso show do Ventre (RJ). Ainda toquei com o meu trio The Sinks fechando o palco num show surpresa e foi excelente tocar esse repertório de novo já quase às 03h da manhã. Os mainstages também foram agitados com ótimos shows do Riveira Gaz (SP), Mathias Cena (Chile), Mahmed (Natal) e os lendários KIlling Chainsaw (SP). Não vi os DJs (desinteresse mesmo) e o auge desse dia foram dois: a catarse do Liniker e seu enorme carisma e o beat ensolarado e quente do Felipe Cordeiro, botando os roqueiros todos para dançar sem moderação sua lambada paraense.

O domingo era o dia que mais o público esperava e quase 10.000 pessoas apareceram para praticamente lotar a arena de shows. Não por coincidência também o dia com mais bandas de rock escaladas. TODOS OS SHOWS FORAM EXCELENTES NESSE DIA. Desde o climão instalado pelo Quarto Negro (SP) sendo acompanhado pelo não menos bom Helio Sequence (EUA). A tríade Molho Negro, Autoramas e Hellbenders orgulham o rock brasileiro. Que shows, amigos! Aldo The Band fechou os shows que vi e foi de novo excelente (já vi uns três)! Pra fechar o Bananada, o Planet Hemp subiu no palco e fez o esperado: torou o festival ao meio, encerrando com chave de ouro um dos melhores festivais de música do país. Facilmente o melhor Bananada da história, num ano desafiador como esse. Orgulho da produção e dos amigos envolvidos no festival e vida longa!

Músico, produtor cultural, promotor do Festival Dosol e pronto para contar as vivências intensas da música de Natal e do mundo, porque viver é uma trilha sonora ininterrupta. [ View all posts ]

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