Bandeira 2 – Em trânsito pela Cidade da Luz

Foto: Deivyson Teixeira

Passando em Fortaleza ida e volta indo em direção ao Parque de Sete Cidade no Piauí, tomo alguns táxis de ligações cada vez mais complicadas entre uma rua e outra. As ruas congestionadas e mais carros entupindo as artérias das cidades. A cada mês mais quatro mil carros entram na cidade luz de Fortaleza. O congestionamento é inevitável. A irritação também. Motorista de táxi, todo mundo sabe, é um termômetro das cidades e de seus moradores.

No Dragão do Mar, depois de assistir uma dança onde todo mundo fica nu e reclama da dura vida sem água para tomar um remédio nos hospitais públicos, tomo um táxi em direção ao aeroporto. Antes, pergunto o que faço com um prego que recebi. No aeroporto vão me acusar de terrorista. O motorista, um cearense de meia idade – casado e pai de família –, diz que conhece todo mundo que freqüenta a região e bares. O rapaz que sabe que vai beber e toma um táxi. A maior parte das corridas é destinada aos motéis – diz o motorista cearense. Tem muito boiola nessa cidade, arremata um falastrão taxista. Já recebi propostas de homens casados para ficar com ele ou com sua mulher. Mudo de assunto.

Na feirinha de artesanato da praia sinto que estou noutra região quando digo que sou bom no taco. A vendedora que reclama de uma propaganda da Ypioca elogiando Natal, ri de mim e penso no motorista de táxi.

No outro dia tomo um táxi partindo do hotel em direção ao Museu do Ceará. O motorista comenta que é a primeira rodada que faz em direção a esse destino insólito ao lado da Praça dos Leões. Ao passar na Rua Raimundo Girão pergunto a ele se conhece quem foi o Girão. Ele diz que não conhece e agradece quando comento sobre o grande intelectual e historiador que foi Raimundo, numa justa homenagem.

Saindo do museu onde adquiro alguns exemplares da bela “Coleção Outras Histórias”, tomo um táxi em direção ao aeroporto. Dessa vez o motorista é formado em advocacia e também falastrão. Comenta sobre o colégio cearense que fraudou o ENEM e reclama da administração petista. Elogio o seu direito de falar e comento sobre o termômetro de que falei anteriormente. Ele fica todo envaidecido e diz que eu sou culto. Comento de grandes petistas na administração e congresso no que ele concorda. Ao final fiquei sabendo mais da cidade a ainda ganhei um desconto na bandeirada.

Na praia estão desarmando um enorme palco de uma celebração do Malafaia. Tô fora. Ainda bem que cheguei depois. Melhor o peixe da Nair. O Dragão do mar continua lindo. O seu café e bares também. A cidade da luz continua inchando e perdendo vento. Cada vez mais complicado andar nas suas ruas congestionadas com mais tempo para prosar com os motoristas de táxi. Segura o taco, que depois eu conto das Sete Cidades.

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