BARDALLOS 10 ANOS: de quando o bar recebeu candidato a presidente; do video-doc da antiga sede e outras histórias!

Lula Belmont já vinha passado na casca do alho na noite natalense até criar o Bardallos. Dono da boate Vice-Versa, também no Centro Histórico por quase dez anos (entre 1983 até 1992), o produtor conhecia o perfil da clientela, do boêmio nicho cultural e logo idealizou um bar com um nome remetente ao badalo de um sino, que anunciava o fim da festa pontualmente à meia noite, sem choro, nem vela e nem saideira.

Sem título2Foi com esse charme inicial que o Bardallos logo atraiu um público fiel já na estreia, em abril de 2005. Um corredor de luzes meio foscas, ladeado de mesas, quadros e detalhes minimalistas, até uma área mais larga, ao fundo. Fundamentalmente era esse o desenho do primeiro prédio do Bar, que logo recebeu toda a classe artística, sendo o único vocacionado à cultura no entorno da Cidade Alta, com exposições, festas de lançamento e pocket-shows.

O local do Bardallos foi uma oportunidade surgida com o fim do Bar de Pedrinho Abech. Lula Belmont alugou o ponto e ali ficou por seis bons anos, entre 2005 e 2011, quando o local foi vendido para a empresa Líder, que hoje toma quase o quarteirão inteiro da rua Gonçalvez Ledo. Mas uma nova porta se abriu. Uma residência quase em frente, reformada para funcionar uma clínica, foi posta à venda e assim a história do Bardallos seguiu praticamente ininterrupta.

“O ponto pertencia a um médico. Ele até chegou a pensar em colocar um estacionamento, mas findou vendendo. E estou aqui até hoje”, lembra Lula, sempre de poucas palavras e muitas gentilzas. E até hoje o Bardallos mantém a aura de um bar de encontro e culturas. Coleciona exposições, lançamentos de livros e CDs, shows diversos, projetos culturais, performances e algumas histórias curiosas que os frequentadores mais assíduos podem acrescentar depois às contadas a seguir.

Sem títuloÉ Ricardo Nelson – fiel escudeiro de Lula – quem lembra dos causos. Até anotou num papel para não passar batido. Após ler cada ponto, chega Wescley e brinca: “E as brigas, não vai citar?”. Sim, uma ou outra confusão abafada pela aura boêmia teve, em um intervalo ou outro de tempo. Talvez a mais marcante, uma discussão besta para um motivo besta, entre Lula Augusto e Eduardo Alexandre, a despeito da eleição da Sociedade dos Quase Amigos do Beco.

Vamos recordar: o Bardallos foi cenário de curta-metragem de Carlos Tourinho. Foi também o ambiente para gravação do programa da Rede Brasil com novos talentos da MPB, com Khrystal sendo entrevistada por Pedro Luiz (de Pedro Luiz e a Parede e Monobloco). Também serviu de fundo para as sessões de fotos de Valéria Oliveira, feitas por Luiz Gadelha para compor a arte da capa e do encarte do novo álbum.

O bar também viu adentrar o candidato à presidência da República, Zé Maria, do PSTU. Gostou tanto que voltou outra vez! Não é um candidato de expressão, tudo bem. Mas ainda bem que não era. É que o Bardallos não se deixa levar pelas discussões políticas mais radicais, tão comuns no Beco. Do portão gradeado para dentro parece emergir nas mesas de bares o papo mais solto e sadio, combinado com a cerva gelada e o tiragosto variado.

Talvez por essa aura, os clientes do bar tenham se surpreendido com a chegada do maior violonista brasileiro: Yamandu Costa. Fim de show e ele resolve terminar a noite no Bardallos. E o melhor: com violão em punho para um segundo show, desta vez gratuito aos clientes sortudos da noite. A “canja” terminou somente às 5 horas da matina. “Como?”. Sim, o badalo do Bardallos deu um descanso nesse dia. Também, pudera, ne?

O Bardallos também abrigou alguns projetos culturais, seja criação do próprio Lula ou de outros produtores, a exemplo do ‘Canções, Prosas e Outras Expressões’, de Nelson Rebouças; o projeto ‘DJ Por Uma Noite’, sucesso por oito meses, com participações variadas; eventos do tempo de uma Samba ainda ativa; uma média de cinco exposições de artes plásticas ao ano (inclusive temáticas, a exemplo das Copas de 2006, 2010 e 2014); etc.

Interessante lembrar a insistência do romancista e poeta Nei Leandro de Castro ao recomendar por diversas vezes em sua coluna publicada na Tribuna do Norte, o omelete servido no Bardallos. Nei, um amante de botecos, sim, mas também dos grandes restaurantes e da boa gastronomia. Pois o omelete ganhou notoriedade, embora este blogueiro seja fã mesmo é do caldo à cavala, para curar todos os males e estender o tapete vermelho à cerveja.

Nesses 10 anos, mesmo após a mudança de prédio, o Bardallos sempre apostou em adequações do espaço ao melhor conforto. Há três anos, passou a oferecer almoço diário. Nos primeiros anos do Bar era servido nos fins de semana – um serviço praticamente único no Centro à época. A boa nova é que o bar voltará a abrir nas noites de segunda, terça e quarta, já próxima semana. É que a boemia não tem dia nem hora. Ou melhor, no Bardallos tem até as 0 horas. É só chegar!

VÍDEO – CONVERSA DE BOTEQUIM NO BARDALLO’S
Essa pérola abaixo – não pelo primor técnico, mas pelo registro – mostra a antiga sede do Bardallos, além de outros bares do Centro, com referência também à dama Nazaré. E no “elenco” tem Terto Aires, Romildo, João Vale, Clenor Junior, Franklin Serrão, Ivo Maia e a saudosa Gardênia! Bom demais lembrar! O vídeo foi filmado pelos alunos de Tourinho, baseado em um conto de Dunga, que também participa das cenas. Raridade boa para celebrar esses 10 anos do Bardallos. E outra notícia: na celebração de aniversário do bar serão divulgados os 10 melhores clientes e os 10 piores clientes desses 10 anos de Bardallos. Festança boa!

Foto em destaque: Florisman Rocha

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Solteiro porque é o jeito. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Carlos Tourinho 16 de abril de 2015 19:55

    Há um erro o nome do diretor do filme não és Luis Carlos Tourinho e sim Carlos Tourinho.

  2. Sergio Vilar 16 de abril de 2015 20:20

    Corrigido, Tourinho! Abraço!

  3. françois silvestre 18 de abril de 2015 14:34

    Carlos Tourinho e Sérgio Vilar, dois craques. É uma dádiva tê-los no agasalho da amizade!

  4. Sergio Vilar 20 de abril de 2015 12:17

    França, tá faltando aquele aguardente na serra! rs

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