Barro Blanco

Por José Saddock 

Meu mundo é branquíssimo
e paira no ar em uma nuvem branca;
talvez porque o vento sopra as coisas do céu
e todas as coisas pousam plainas,
e tudo espalha alvura e sonho.
Mas sou eu afinal quem mais sonha,
porque decido a escolha do meu mundo
e abro a sua janela vagarosamente,
como quando as gaivotas estão regressando,
e vejo milhares de homens afogados na brancura,
submersos na imensidão da luz,
colhendo o sal da terra e a sina da vida.
E assim os vejo por todos os lados,
pelas frestas do tempo, espalhados na alvura,
e todas as coisas me comovem e me perguntam:
que mundo é esse que te fascina?
Sem que o vento passe e carregue a lembrança,
ou o moinho a esconda na salina,
fecho a janela e adormeço.

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