Beleza Distante, de Demétrio Diniz

Começa a chegar hoje a alguns leitores, jornalistas e amigos “Beleza Distante”, o novo livro do poeta Demétrio Diniz, que optou por não fazer lançamento e nem colocá-lo à venda. Foram editados apenas cem exemplares, que serão distribuídos com aqueles identificados com a poesia. “Beleza Distante” reúne 34 poemas, divididos em Poemas de Casa e Poemas de Viagem, uma separação já presente em “Haveres”, obra anterior do poeta, que se encontra disponível à leitura em nossa ESTANTE. É possível que em breve também tenhamos na ESTANTE “Beleza Distante”, quinto livro de poesia de Demétrio Diniz.

Abaixo, dois poemas, um de cada parte do livro:

O AMOR QUE FICOU PARA DEPOIS

Meu pai tinha 83 anos quando lhe dei um chapéu de massa.
e é com ele que aparece na foto
o jeito manso dos velhos

Durmo com ele, rede com rede
compartilhando os rumores do sono
e o espreitava de madrugada no urinol, a cinta da hérnia desatada.

Onde o tempo da imprudência, das neurastenias
os olhos que arregalavam medo
o cristalino agora sem paisagens
a vista que a tudo via, embaçada?

Nessa companhia intermitente e terminal
feita de sono e também de queixas e conversas banais
não tive notícia do amor que em mim ficou pra depois.

*********

SOLIDÃO

E não sei se foi nas planícies do Peru, a caminho de Machu Pichu
ou se foi onde?, nos altiplanos bolivianos
perto de Otavalo, no Equador?
era um homem que caminhava
e era tão vasta a planície
e o homem tão só
que de guardado me ficou sua solidão

Às vezes me sinto assim
vendo os outros e a mim sozinhos
não compartilhados
tão pouco repartidos
que penso que é o mesmo homem
caminhando nas planícies de não sei mais o país andino.

Outras vezes é diferente
a solidão me vem nos dois peitinhos de Jane
como se ainda de criança, sôfregos e sedentos
lembrando dois passarinhos aflitos no deserto.

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