Belo Monte e o voto

Por Paulo Moreira Leite
NA ÉPOCA

Confesso que não vi vídeo onde atores globais protestam contra a usina de Belo Monte. Do ponto de vista estético, é um deslumbre – dizem.

Minha pergunta é política. Num país com 200 milhões de habitantes, a palavra final sobre investimentos desse porte é do eleitor. Por mais charmosas que sejam nossas estrelas globais, aqui vale a regra: um homem, um voto.

Vivemos sob um regime democrático, o mais prolongado de nossa história.

Se fosse para fazer uma guerra de publicitários, as pessoas favoráveis a Belo Monte poderiam exibir um vídeo negro para lembrar o apagão que levou milhões de brasileiros a economizar energia, impediu a retomada do crescimento nos anos 90 e causou outros prejuízos a nação. Tenho certeza de que faria um bom efeito.

O eleitor tomou sua posição nas urnas da campanha de 2010.

Tivemos uma candidata contrária a Belo Monte.

Tivemos uma candidata favor. A adversária de Belo Monte não foi para o segundo turno.

O voto vitorioso em 2010 deu prioridade ao crescimento, ao emprego e à distribuição de renda. Isso não se faz sem energia.

Os verdes europeus priorizam a discussão ambiental em relação ao desenvolvimento econômico. Falam sem rodeios. Eles aceitam que há uma contrapartida a ser debatida, que envolve o desemprego.

Todo esforço para diminuir o consumo de energia implica na discussão de redução de empregos. Envolve sacrifício do desenvolvimento. Talvez fosse bom na Europa, pelo menos antes do desastre que carrega Itália, Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal…

O projeto alemão de eliminar a energia nuclear implicará numa explosão das tarifas de energia nas residencias e na inviabilização de parte do parque industrial do país.

Este é o debate.

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