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Bendegó – O mais importante meteorito que caiu no Brasil

Meteoro, do grego meteóros, significa qualquer fenômeno atmosférico. Estrela cadente. Aparição deslumbrante de curta duração. Surge decorrente da passagem de pequenos fragmentos cósmicos pela atmosfera da Terra. Muitos se desintegram ao penetrar na atmosfera.

O mais importante meteorito encontrado no Brasil pesa mais de cinco toneladas e caiu no povoado de Bendegó, próximo ao santuário do Sertão – o Monte-Santo. O nome Bendegó deve-se ao nome de um riacho onde o meteorito caiu próximo. O aerólito formado essencialmente de ferro e níquel foi encontrado acidentalmente pelo menino Joaquim da Motta Botelho, em 1784. De forma irregular mede 2,15m de comprimento, por 1,50m de largura e 0,66 m de altura. Pesando 5.360 Kg. Mais de um século após do achamento o meteorito foi transportado com muita dificuldade para o Rio de Janeiro, a pedido do imperador D. Pedro II. No local da queda foi colocado um marco que infelizmente não se encontra mais no local.

O governador da Bahia determinou ao capitão-mor de Itapicuru, Bernardo de Carvalho Dantas que transportasse a pedra que caiu do céu (que supostamente continha ouro e prata) para o porto-de-mar mais próximo da região, para depois ser transportado para o Rio de Janeiro. Bernardo mandou construir um carretão de madeira e foi uma epopeia transportar o aerólito até a estação de Jacurici, prolongamento da estrada de ferro da Bahia ao São Francisco, chegando à capital do estado da Bahia depois de 126 dias em 22 de maio de 1888. Daí foi transportado para o RJ, onde chegou em 15 de Junho de 1888, sendo recebido pela Princesa Isabel e seu marido o Conde D ´Eu. A 27 de Novembro foi recolhido ao Museu Nacional.

Estivemos próximo ao local onde caiu o famoso aerólito e depois de muito trafegar por estradas esburacadas e sem nenhuma sinalização fomos guiados por um motoqueiro residente na região que nos levou a um local onde existe uma grande cratera abaulada, diferente do meteorito que é achatado. No local onde supostamente caiu o meteorito coletamos algumas amostras para analise de sua mineralogia. As amostras parecem muito com aquelas encontradas em um museu em Canudos, que diz pertencerem ao meteorito. Analisando melhor essas amostras tenho certeza que não pertencem ao núcleo do meteorito de Bendegó, cuja composição é essencialmente formada de ferro e níquel.

José Aras

José Aras foi um grande estudioso do Sertão e de Canudos. Em Bendegó ele criou um pequeno Museu dedicado a Canudos. Atualmente desativado, encontra-se numa Universidade no estado da Bahia. Ano passado num seminário em Canudos dedicado a José Calasans, tive o privilégio de conhecer o seu filho e filha. O poeta José Aras foi um grande incentivador dessa região e foi o responsável pelo seu progresso. Nas estradas de barros no rastro do meteorito, muitos cactos, umbuzeiros e umburanas. Aqui-acolá um Ipê-Amarelo que colore o cinzento de uma vegetação rala. São poucos os viventes. Os burros foram trocados pelas motos.
Num belo relato em literatura de cordel, o baiano José Aras narra a história de um dos mais importantes meteoritos do mundo. O autor de “No sertão de Conselheiro!” faz referencia ao acidente que aconteceu com o transporte do Bendegó por doze juntas de boi. Na descida de uma colina o carretão ganhou velocidade, os eixos incendiaram e o meteorito encalhou a 180m do local onde foi encontrado.
No ano de oitenta e cinco
Do século setecentos
Ao capitão Chico Marques
Deu origem o abastecimento
Conduziu o Bendegó
E construiu um monumento
Que havia de ser feito
Hoje na praça Cairu
Em memória de Sardinha,
Cabral e Caramuru
O aerólito suspenso
Cercado de índios nus.
Construíram carretão
De madeira resistente
Levaram a pedra acima
Mas foi improducente
Tombou e queimou o eixo
E matou os bois da frente.
A pedra caiu no rio
Logo veio o desengano
O rio ficou dando banho
Como se fosse humano
Assim esteve parado
Cerca de cento e três anos.

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João da Mata

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