Bic azul

No teu lábio
delgado
inferior
ainda a marca
tatuada
da caneta
transparente
plástica
que mordias
nos dias
anteriores
aos que forjou
nosso encontro.

Guardo-a:
objeto insone
esferográfica
exibida entre
surrados
apetrechos
no meu bisaco
de letras vivas.

Desenho
vez ou outra
auréolas
nos bicos
torneados
das nuvens
ao meu redor.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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