Bichinho da Mata

Por Alex Medeiros

Na cena cultural natalense, ainda prisioneira de baboseiras ideologizadas que aleijam as artes, há poucos garrinchas para os tantos joões, os pernas de pau das letras que não conseguem um centímetro de notoriedade além dos botecos do udigrudi atemporal que teima em se manter respirando. O senhorzinho João da Mata, alimentando seu ódio gratuíto a quem jamais lhe deu importância ou mérito intelectual, atirou no que leu sem acertar no que não viu. O alegre acadêmico que vomita teses anti-jornalismo impresso e que parece nutrir gozo quando seus rabiscos circulam nos jornais da taba, jamais deve ter visto o Festival de Artes do Forte dos Reis Magos. Se tivesse, teria presenciado o poeta Paulo Bruscky batendo punheta num velho canhão lusitano e assistido a bad trip de Macalé, cheio de maconha e álcool, embrulhado numa bandeira do Brasil que ele dizia ser presente do Glauber Rocha. Somente para o registro histórico da cena que transportei para a crônica sobre André da Rabeca, no claro intuito de dizer que naqueles dias o som do pobre artista foi melhor que as loucuras das figuras famosas. Não fosse por isso, não ocuparia um espaço substantivo com figuras do tipo João da Mata. Natal sabe que tenho aversão a esses bichos.

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