Biógrafo de Freud, historiador alemão Peter Gay morre aos 91

FOLHA DE SÃO PAULO

O historiador alemão Peter Gay, autor de uma das mais famosas e respeitadas biografias
de Sigmund Freud, morreu nesta terça (12), em sua casa em Manhattan. Ele, que tinha 91
anos, morreu devido à idade avançada, declarou a enteada Elizabeth Glazer.

Autor de mais de 25 livros, Gay se tornou um best­seller com “Freud: Uma Vida para o
Nosso Tempo”, uma das principais referências sobre a vida do pai da psicanálise. Freud
também acabou sendo parte de outros estudos do historiador, caso dos livros “O Século
de Schnitzler”, sobre a formação da cultura burguesa no século 19, e “Modernismo”, em
que o médico é descrito como grande influência por trás de alguns dos maiores artistas do
século passado.

Outro de seus objetos de estudo mais recorrentes eram a cultura e a arte alemãs durante a
República de Weimar, período que antecedeu a ascensão nazista no país. Em “Weimar
Culture: The Outsider as Insider”, aplica a teoria freudiana à interpretação histórica. Judeu
nascido em Berlim, na Alemanha, o historiador viveu refugiado do Nazismo primeiro em Cuba, para onde a família fugiu em 1939, e depois nos Estados Unidos, onde se instalaram em 1941.

Professor da Universidade de Columbia de 1962 a 1969 e de Yale desde o final da década
de 1960, ele se aposentou da instituição em 1993. Filho de pais comerciantes, Gay sempre
foi uma criança abaixo do peso, que preferia ler a comer. Seus textos prediletos eram os
do alemão Ernest May e a prosa de Ernest Hemingway e E.B. White.

A inspiração de sua obra, dizia, veio de um evento inesperado no colégio, quando tinha 12
anos: um professor antissemita disse que os judeus eram sempre exagerados. “Eu sempre
me perguntei se minha busca pela precisão na escrita não era inflamada por essa
memória”, escreveu Gay no livro de memórias “My German Question: Growing up in Nazi
Berlin”.

FORMAÇÃO

Gay estudou na Universidade de Denver, nos EUA, e recebeu o título de doutor pela
Universidade de Columbia. Estudou as técnicas da psicanálise no Instituto de Western
New England para a Psicanálise, onde passou a aplicar as técnicas de Freud no ensino de
história.

“Freud não era historiador, mas sabia que a mente do homem, mesmo seu inconsciente,
muda através do tempo e das classes sociais”, escreveu certa vez.

Sua mulher, Ruth Gay, premiada escritora sobre a vida judaica, morreu em 2006. Peter
Gay deixa três enteados.

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