Boi

Pensava, às vezes, se não seria melhor viver alienado. Comer, dormir, trabalhar, trepar.

Postar selfies. Ave, Narciso! Frases de Clarice, que não são de Clarice. A felicidade das redes sociais.

Obedecer.

Falar pouco e baixo. Não ler ou escrever. Alegrar-se com o retorno ao grunhido e às cavernas. Não pensar, principalmente.

Refletir é muito perigoso!

Para suportar o real, remédios, igrejas, drogas, Facebook.

Um dia, ao recuperar-se de uma enxaqueca tenebrosa, descobriu que se transformou num dócil boi.

Muu!

Foi tudo que conseguiu expressar.

E viveu feliz para sempre.

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Cellina Muniz 19 de Outubro de 2017 4:03

    Tácito: Vc já esticou mais e melhor a baladeira da narrativa, acho. Esse seu “muu” não me convenceu. Mas, no final, fiquei foi curiosa pra saber quem te inspirou esse boi. 😉

  2. Tácito Costa
    Tácito Costa 19 de Outubro de 2017 16:12

    hahaha, curiosidade mata, menina!

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