Bordando.,

.bordo
os
casacos
que
aprendí
a
vestir
protegendo-me
dos
frios
bordéis
da
vida
os
dedos
carregam
calos
dos
bilros
trançando
os
novelos
fios
frios
sonhos
de

bordo.

Comentários

Há 11 comentários para esta postagem
  1. Oreny Júnior 1 de outubro de 2013 22:04

    Valeu, Marcos, grato e lisonjeado pelos comentários.
    Abração!!

  2. Marcos Silva 1 de outubro de 2013 16:26

    Cada leitura de um poema é reescrita que não apaga a versão original do autor.
    Entendo que a fragmentação do verso que Oreny impõe significa muita coisa. A palavra isolada, num poema chamado “Bordando”, é ponto, resultado de agulha que perfura, ligação que se constrói sem ocultar os intervalos. Não é ocasional que Oreny coloque um ponto antes da primeira palavra do poema. Os pontos se ligam uns aos outros, elaboram figura sem a ilusão do contínuo. E terminam (?) noutro ponto.
    Qual o objeto desse bordado? O corpo, a vida, ameaçada por frios bordéis – pelo desejo de mercado, desejo que não se basta enquanto tal. Vida é fazer que deixa marcas talvez dolorosas, calos. Mas trança outros horizontes, sonhos. E se continua a fazer – bordado após bordado, ponto atrás de ponto.
    A verticalidade das palavras, ponto a ponto, é necessidade expressiva. E beleza específica. Sem ela, o poema seria outro. Por que perder o que ele conquistou?

  3. Marcos Silva 1 de outubro de 2013 3:33

    Oreny:

    Será um prazer conhecer vc. Moro em São Paulo. Vou a Natal com relativa frequencia. Espero ver vc aí, ou noutro lugar, logo. Grande abraço:

  4. Oreny Júnior 30 de setembro de 2013 19:30

    Amigos Pluralistas, fico grato com todos os comentários, Saddock, Marcos, muito obrigado! Gostaria de conhecê-los, estou chegando em Natal, próximo dia 03 de outubro. Trabalho em Mato Grosso do Sul, terra de seu Manoel de Barros. Nascí no bairro do Alecrim, me criei na Cidade da Esperança e atualmente moro em Parnamirim(a família), sou peão de trecho. Abração a todos!!

  5. José Saddock 30 de setembro de 2013 15:36

    Oreny, seu poema, além de mapa, é terço; além de rosa, é rio; um rosá-rio de imaginação.

  6. Marcos Silva 30 de setembro de 2013 13:35

    O que eu mais gosto em poesia é sua diversidade e a diversidade dos comentários que ela suscita. Mais parabens para vc por esse motivo, Oreny.

  7. Oreny Júnior 30 de setembro de 2013 9:49

    Lívio, Marcos, Jarbas, Tânia, fico grato com a leitura e apreciação do texto. Lívio, essa forma de escrever são oriundas do concretismo, aquela não regra, melhor, marginalidade do verso, independência, como diz Maiakovski, mas fique a vontade, estou aqui neste espaço aprendendo com vocês, dividindo o que gosto, escrever, de uma forma ou desforma, fico grato, mesmo! Adorei o “mapa do Chile”, não tinha pensado nessa geografia.
    Abração,
    Felicidades!

  8. Lívio Oliveira 30 de setembro de 2013 6:36

    Um belo poema, Oreny. Mas, à parte as teorias possivelmente defensáveis, ainda me pergunto: essa forma verticalizada e com certos adornos – que você sempre elegeu – meio que “mapa-do-Chile”, ajuda ou prejudica o poema? Quando lido o poema em voz alta e com cuidado, fica bonito, mas visualmente não ajuda. É uma posição pessoal minha, de alguém que hoje compreende melhor a beleza de sua poesia, mas ainda tropeça nesse corredor minguado que você impõe ao leitor. Oreny, meu abraço. Peço que me compreenda.

  9. Marcos Silva 29 de setembro de 2013 19:34

    Admiro especialmente o começo e fim do poema com a palavra “bordo” que, na última ocorrência, evoca “a bordo”, além de um ponto que antecede a primeira e sucede a última. O corpo do texto faz uma inteligente oscilação entre discurso em prosa (imaginemos tudo escrito numa linha só) e verso – ruptura, destaque, significações inesperadas. Há um diálogo muito heterodoxo com a tradição concretista. Prefiro assim. Parabens.

  10. Jarbas Martins 29 de setembro de 2013 18:51

    Lições do concretismo, neste poema de Oreny Jr.E fragmentarismo, recursos gráfico-visuais e sonoros, apaziguamento entre tendências antitéticas, tradição e experimentalismo, por exemplo. Isso tudo faz deste texto, de inegável qualidade poética, um produto exemplar da eclética tendência da poesia da contemporaneidade.

  11. Tânia Costa 29 de setembro de 2013 15:24

    Adorei!

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