BRAVO, MOÇADA!

Por Chico Moreira Guedes

Talento de jovens dançarinos contemporâneos de Natal é premiado em Berlim.

Um amigo comentou outro dia no twitter que era mais fácil um espetáculo de dança de Natal ir para a Alemanha do que se apresentar no teatro Riachuelo. Eu contestei lembrando que o público local para esse tipo de arte não costuma encher nem o pequeno TCP, da Fundação José Augusto, quem dirá o novo teatrão do Midway, que embora eu não conheça além da imponente fachada envidraçada deve ser bem grandinho por dentro.

Sem citar diretamente, o amigo e eu pensávamos na Companhia de Dança do Teatro Alberto Maranhão, dirigido pela professora e coreógrafa Wanie Rose, que participou em Berlim entre 16 e 20 de fevereiro da oitava edição do Tanzolymp (traduzível como Olimpo da dança). O festival recebeu este ano mais de 600 bailarinos jovens de 30 países diferentes, que foram lá mostrar do balé clássico à dança contemporânea, passando por jazz, pop, e dança folclórica.

O convite para o festival surgiu no ano passado quando a companhia participou do 18º Paço da Arte, em Indaiatuba, SP, e foi premiada em várias categorias. Um dos juízes presentes era Oleg Bessmertni, fundador e organizador do Tanzolymp, que se encantou com o talento dos nossos jovens batalhadores dessa arte de público escasso e apoio oficial limitado.

Aliás, dizer que a Cia. de Dança do TAM viajou a Berlim é só meia-verdade. Foram com Wanie Rose apenas oito dos dezesseis bailarinos que compõem a trupe: os oito que conseguiram pagar do próprio bolso as passagens aéreas que um amigo conseguiu com desconto especial para o grupo. Para ajudar nas outras despesas por lá foram realizadas uma sessão especial do Circo Groc, com renda generosamente doada aos viajantes, e uma apresentação com passagem de chapéu no Buraco da Catita.

Porque se esses dedicados rapazes e moças insistem em dançar o fazem movidos, sobretudo, por amor à arte, se virando como podem por fora. É que embora a Cia. do TAM seja ligada à Fundação José Augusto os bailarinos não recebem remuneração pelo seu trabalho. Aqui e acolá conseguem ajuda pontual do Estado para viagens e participação em eventos. Mas como as providências para ir a Berlim coincidiram com a mudança de governo, o realismo ditou que era melhor nem tentar apoio oficial.

A ótima notícia é que o esforço e a determinação deles foram amplamente compensados: Os bailarinos da Cia. do TAM foram classificados em primeiro lugar na categoria dança contemporânea pelo conjunto das três coreografias que adaptaram e ensaiaram exaustivamente para as germanicamente precisas exigências de tempo do Tanzolymp. Isso rendeu também o privilégio de uma apresentação extra na noite de gala que encerrou o festival.

Além disso, a professora Wanie Rose foi convidada a voltar à Alemanha em abril para dar uma palestra no Move Berlin, evento internacional de dança que incluirá a participação de outro grupo potiguar, o Giradança.

Oxalá a divulgação desse sucesso internacional dos dançarinos da Cia. de Dança do TAM ajude a abrir os olhos do público e das nossas autoridades da área de cultura!

Blog da Cia. De Danças: aqui

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