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Caicó recebe exposição sobre cultura negra no Sertão Potiguar

Em vez de escravos decrépitos, fotografias de José Ezelino da Costa mostram negros com a mesma estética das famílias ricas.

Os primeiros retratos de pessoas negras do Rio Grande do Norte fotografadas no início do século XX por José Ezelino da Costa chegam a Caicó, terra natal do artista, na exposição Quando a pele incendeia a memória – Nasce um fotógrafo no sertão do século 19.

A mostra fica aberta de 01 a 11 de dezembro, no Salão Nobre da antiga Prefeitura.

A exposição, que tem curadoria de Ângela Almeida e expografia de Rafael Campos e Michelle Holanda, conta com 40 fotografias e foi apresentada em Natal em setembro, na galeria do Natal Shopping.

Os retratos revelam a identidade social da cultura negra e o cotidiano seridoense, cuja sociedade da época era predominantemente branca, comandada por uma elite de fazendeiros e coronéis.

A pesquisadora contou com o apoio da sobrinha-neta do retratista, a arquiteta Ana Zélia Moreira, que apresentou o álbum de família, herança deixada por sua mãe.

A importância histórica do legado de José Ezelino reside nos detalhes estéticos e sociais das fotografadas. Um pioneirismo silencioso, agora exposto ao público.

“Não podemos afirmar que José Ezelino quisesse revelar alguma espécie de racismo sobre sua condição de negro ou sobre a sociedade que vivia. Entretanto, podemos perceber que ele provocou por meio de sua fotografia, uma imagem forte de identidade social, principalmente por ser uma sociedade de descendência branca aristocrática. Assim, ele registrou lindamente os negros, seus descendentes da mesma estética que fotografava as famílias brancas que iam ao seu estúdio”, explica Ângela Almeida.

A iniciativa conta com patrocí­nio do Morada da Paz, por meio do programa de incentivo à cultura Djalma Maranhão da Prefeitura do Natal, com realização da Cultura de Valor.

Jozé Ezelino da Costa

Além de fotógrafo, José Ezelino da Costa (1889-1952) foi músico.

Sobre José Ezelino da Costa 

O filho de escravos José Ezelino (1889-1952) nasceu em Caicó, onde tornou-se fotógrafo, em um tempo em que a fotografia era coisa rara no Sertão.

Ele conseguiu retratar a si e aos familiares com a mesma linha estética das famílias de alta classe da região Sudeste brasileira e dos países europeus colonizadores.

Figurino, direção, cenários e captação eram criações do próprio artista. Isso sem nunca ter tido acesso a nenhum tipo de referência, pois sua viagem mais longa foi à Recife (PE). Não existe nenhum registro fotográfico semelhante ao de José Ezelino no Brasil.

A maioria dos registros é da população negra retratada como vendedores de ruas ou como trabalhadores de baixo escalão. Além dos registros familiares, José Ezelino produziu um vasto material da cidade de Caicó e demais regiões do Seridó.

Muitas destas fotos foram perdidas ao longo dos anos, o que fortalece ainda mais a importância do trabalho da pesquisadora Ângela Almeida. Além de fotógrafo, Ezelino era músico. Chegou a formar uma banda com repertório de jazz e música sacra.

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