O belo concerto da Camerata de Vozes do RN na cripta da Catedral

Não se resumiu a um mero concerto de natal a apresentação da Camerata de Vozes do RN nesta quarta-feira à noite na Cripta da nova Catedral. Foi um concerto-aula porque o maestro, Padre Pedro Ferreira, explanava contextos e diferenças entre certas composições, como por exemplo, entre a Ave Maria de Giulio Caccini e a Ave Maria de L. J. Scolt.

Foi uma noite musical memorável e certamente uma das melhores que assisti em 2015. Cristo, postado à frente do coral é testemunha (reparem bem na foto).

Não me surpreendeu a qualidade do concerto. Conheço Padre Pedro há muitos anos. Sei da sua enorme competência e paixão pela música.

Na época em que o Coral Canto do Povo foi criado eu era assessor de imprensa da Fundação José Augusto. Acompanhei não apenas o processo de criação, mas também assisti a inúmeros concertos do grupo vocal, que fez enorme sucesso, chegando a participar de festivais pelo país afora e a se apresentar para o papa em Roma.

Hoje, a Camerata, que surgiu a partir de um racha no Canto do Povo, foi criada oficialmente. A chefe do Gabinete Civil Tatiana Cunha entregou pessoalmente o decreto assinado pelo governador ao maestro. Segundo o presidente da FJA, Crispiniano Neto, o Canto do Povo continuará existindo. Bom para quem aprecia música de qualidade.

Temendo ficar de fora – a cripta abriga umas cem pessoas sentadas -, cheguei com meia hora de antecedência ao concerto. Ninguém nunca sabe, vai que ocorre um surto de bom gosto musical na cidade. Isso não ocorreu, mas quando eu cheguei quase todas as cadeiras já estavam ocupadas. Em outro lugar, é provável que as entradas, gratuitas, fossem disputadas à tapa.

Como disse o maestro em uma das suas falas, para fazer música e para ouvir música é preciso sentimento.

Eu confesso que desconheço Natal em momentos como o de hoje à noite. Tenho a impressão que estou em outra cidade, mais civilizada e adiantada culturalmente. Não é o caso, embora reconheça que a cidade abrigue alguns projetos culturais que parecem-me estar além dela. A esses projetos se junta agora a Camerata, a quem desejo vida longa.

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