A “Camille Claudel” de Ceronha Pontes

“Camille Claudel” monólogo com a atriz Ceronha Pontes, que também assina a direção, repassa parte da vida da famosa escultora, que viveu um grande e conturbado amor com o também escultor Auguste Rodin, de quem foi aluna. Assisti na sexta-feira na Casa da Ribeira. Teatro lotado. Depois, somente na sexta (o espetáculo foi reapresentado no sábado) ocorreu um bate papo bem interessante com a atriz, que resvalou para questões atuais como a luta antimanicomial, condutas médicas e o feminismo.

Eu já não lembrava muita coisa da vida dessa mulher fantástica. Sabia do seu relacionamento afetivo visceral com Rodin e que ela tinha vivido os últimos 30 anos de sua vida confinada num manicômio. Informações adquiridas ainda no final da década de 1980, através do filme “Camille Claudel” (1988), com Gérard Depardieu e Isabelle Adjani, dirigido por Bruno Nuytten. Um filme muito premiado, ganhou entre outros, o César de Melhor Filme, o Urso de Ouro (Direção), em Berlim, o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Teria sido bom que eu tivesse lido sobre a vida da escultora antes de ver a peça. Porque como ela é constituída de fragmentos de cartas, documentos, memórias etc, sem uma ordem cronológica, isso teria preenchido algumas lacunas na minha cabeça. Por exemplo, as referências as esculturas Sakuntala, de Camille, e Porta do Inferno, de Rodin, inspirada em Dante.

Mas, isso não impediu que eu desfrutasse intensamente da montagem. Consertei minha falha ao chegar em casa e pesquisar sobre a história da escultora, o que permitiu um melhor entendimento do todo. Aproveitei para me deleitar com as reproduções das obras dela. Nossa, quanta escultura linda, que artista fantástica!

O cenário do monólogo divide-se entre o ateliê e o asilo de Montdevergues, onde Camille repassa a separação de Rodin, a morte do pai, a indiferença do irmão Paul Claudel, o não reconhecimento artístico (“Ela sempre só fará Rodin”, diziam), a discriminação social. É uma peça dolorosa, pesada e nem podia ser diferente, na qual a atriz Ceronha Pontes se sai muito bem.

A interpretação de Ceronha é intensa, como pedem o personagem e a história. Por isso, acredito, não precisava carregar muito na música e na iluminação para impressionar os espectadores. A tragédia em si da vida de Camille já é mais do que suficiente para deixar a todos impactados.

Além do filme de 1988 vi na internet que no ano passado foi lançado “Camille Claudel 1915” (ano em que ocorreu o internamento da escultora), com Juliette Binoche, dirigido pelo cineasta francês Bruno Dumont. Eu confesso que passei batido nesse lançamento, cujo roteiro é baseado nas correspondências que Camille trocou com seu irmão Paul e com seu médico. Ou seja, caminho parecido com o trilhado por Ceronha em sua montagem.

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