Camões e o Brasil

Muito bom o artigo do Gilberto Mendonça Teles sobre a influência de Camões na cultura brasileira, “Verbete do Dicionário de Luís de Camões, Caminho Editorial” – Estadão 12 de novembro de 2011. Gilberto tem um trabalho pioneiro sobre Camões e a poesia brasileira. É enorme a influencia da lírica e épica camoniana na nossa cultura. Muitos dos nossos poetas beberam nessa fonte e o canto molhado camoniano desagua na poesia brasileira inundando todos os seus veios, verves e sensualidade de uma língua única e bela. Camões une a todos nos num mesmo tronco linguístico.

O maior poeta brasileiro, Manoel Bandeira, lhe dedica um soneto consagrador e justo. “A Camões”: Quando n’alma pesar de tua raça / A névoa da apagada e vil tristeza, / Busque ela sempre a glória que não passa, / Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça, / Tu resumiste em ti toda a grandeza: / Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça / O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente / Da estirpe que em perigos sublimados / Plantou a cruz em cada continente,
Não morrerá, sem poetas nem soldados, / A língua em que cantaste rudemente / As armas e os barões assinalados.
Na poesia moderna, Fernando pessoa, é um digníssimo herdeiro da lírica camoniana. Seu mais belo livro, Mensagem, é uma grande homenagem ao maior poeta da língua portuguesa.

No Brasil, existiram muitos estudiosos e cultores da obra de Camões. A camoniana é um vasto oceano navegado por muitos amantes do canto molhado. O Brasil teve uma influencia decisiva na perpetuação e memória do bardo português. Em 1934, o médico baiano Júlio Afrânio Peixoto cria a cadeira de Camonologia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cuja primeira cátedra foi assumida por um dos maiores camonistas de sempre, José Maria Rodrigues. Afrânio Peixoto escreveu entre outros livros sobre Camões: Camões Médico ou Medicina dos Lusíadas e do Parnaso, DInamene – Alma Minha Gentil e Dicionários dos Lusíadas.

Quando da fundação da USP grandes camonistas chegaram a São Paulo e foram fundamentais na divulgação e estudo do autor do maior poema em língua portuguesa “ Os Lusíadas”. Nos primórdios da USP foram fundamentais os estudos dos camonistas Fidelino de Figueredo, Massaud Moisés e Antônio Soares Amora.

Outro grande entusiasta e divulgador do bardo português foi o autor de Minha Formação. O escritor pernambucano Joaquim Nabuco escreveu no distante século XIX um livro pioneiro sobre Camões: Camões e os Lusíadas por Joaquim Nabuco 1872. Rio de Janeiro. Typografia do Imperial Instituto Artistico.

E assim se for falar de Camões e o Brasil nunca vou terminar esse artigo. Há sempre algo a dizer e que não foi dito. Há sempre um verso polido e inspirado no bardo português. Há sempre um decassílabo, um soneto um mar a ser navegado. Da relação de Cascudo e Camões escrevi um breve artigo publicado no sp e que pode ser lido em: http://substantivoplural.com.br/cascudo-e-camoes-nos-cinco-lustros-de-encantamento-do-erudito-potiguar/.

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