Camoufleur, de Victor H. Azevedo

Camoufleur

 

 

Erguem castelos de crânios documentam

atrocidades fazendo trincheiras no papel

Se correspondem com os seus via pombo-

-correio flexionam traumas ribombam os

tambores dos bombardeados escrevem

caligramas de cicatrizes rimam horror

com flor perecem em parênteses talham

a palavra adeus em árvores mortas comem

bacon e ovos no lombo de um tanque

de guerra enviam poemas de despedida

antes de partirem em missão suicida

trajam sacos pretos em hospitais de

campanha embebedam-se do leite negro

da aurora tornam-se tartamudos em ruas

habitadas somente por cadáveres de gatos

maldizem os heróis de putas de freiras

queimam no estômago do touro de bronze

constroem barricadas no meio de um

incêndio batizam-se com o nome inverno

colecionam os cigarros das suas amantes

lavam o cérebro limpam canhões como se

fossem ouvidos sujos roubam vacas de

vilarejos vizinhos cismam que o céu é

só um amontoado de destruição mijam

em crateras bastardas sobrevivem a tudo

com o corpo camuflado em ruínas.

 

Poeta, pesquisador e tradutor [ Ver todos os artigos ]

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