Canção de Outono

Como parte das comemorações do Outono austral – a mais bela das estações e a mais poética – compartilho com os colegas uma tradução para um poema de Paul Verlaine historicamente importante. Poema que serviu de senha para a invasão da Normandia em 06 de Junho de 1944.

Canção de Outono
trad. João da Mata

Os agudos sons
de violinos
outonais
entorpecem
minh´alma
de
vivos ais

A lembrança
Esquálida quando
Ouvia
Indo e vindo
O peito
ardia

E assim a esmo
Bêbado caminha
Quem importa
Plátano
De caídas folhas
mortas

Chanson d’automne
Paul Verlaine

Les sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon coeur
D’une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure.

Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

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Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. Nina Rizzi 29 de março de 2012 9:07

    caro amigo, eu não me incomodo nem quando sento num formigueiro. mas as crianças de mãos estendidas lá fora são outra coisa, como quando as pessoalidades se aprimeiram à arte.

    com estima e consideração (ó, formalidades. anaïs foi assassinada).

  2. João da Mata 28 de março de 2012 23:02

    Querida Nina,
    Assim descontextualizado fica difícil explicar. Não acho que isso se aplique ao caso presente, e fico contente se o que disse lhe incomodou. Com estima e consideração.

  3. Nina Rizzi 28 de março de 2012 21:23

    Não quero dizer nada, estou repetindo o que vc me disse, querido. O que será que vc quis dizer?

    “diga novidade
    ja fizemos e proclamamos isso ha decaDAS.
    E continuamos a fazer a revolução.
    Com Cervantes, Camões e os clássicos.
    estudando. A Internet todas as traduções.
    Ja cantei como vós outros bons meninos .”

    um beijo do aquário.

  4. João da Mata 28 de março de 2012 19:06

    Nina Querida, não lembro qual foi o comentário nem sei do que voce fala com ” o google faz traduções” . Te mando um beijo outonal.

    Aninha respira e vive a poesia. Obrigado linda, pelos comentários e por apreciar a minha tradução.

    Marcão, que bom que voce gostou. Sua tradução eu ja conhecia e aprecio.

    Sintam-se, todos, fortemente abraçados.

  5. Marcos Silva 28 de março de 2012 14:23

    João:

    Bela tradução desse clássico tão traduzido. Apresento minha tradução do mesmo poema, que foi declamada no dia 23 de março passado, no Sarau Rimbaud etc (sede da ADUSP, Sampa):

    (Samba-) canção de outono

    Os soluções
    Dos violões
    Desse outono
    Ferem-me o cor
    Com um langor
    Mono-tono.

    Eu, sufocando
    E creme, na
    Hora h,
    Reapanho
    Os dias de antanho
    A chorar.

    E me vou mal
    No vento mau
    Que me porta
    P’ra cá, p’ra lá,
    Pois “hoje sou
    Folha morta”.

  6. Anne Guimarães 28 de março de 2012 14:19

    Lindo…
    “…entorpecem
    minh´alma
    de
    vivos ais”…
    O que pode ser mais poético que esse verso?
    Um beijo cheio de folhinhas não mortas pra vc João querido.
    Saudades, amigo!
    🙂

  7. Nina Rizzi 28 de março de 2012 12:35

    Fatalmente, toda vez que ler um poema traduzido vou me lembrar do seu comentário, aqui mesmo pros meus ‘boys clinging’, caro amigo: “o google faz traduções”. Fatalmente, mas é claro que eu não concordo.

    Um beijo das alagadas terras alencarinas.

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