Canção do Jornaleiro

aos meus queridos amigos jornalistas

Sou de um tempo onde os jornais eram vendidos nas ruas. Havia os jornais matutinos e vespertinos. A expressão “deu no jornal” era sinal de uma verdade referenciada por um veiculo de comunicação impresso. Na década de 30 do século passado o grande compositor e pintor Heitor dos Prazeres compôs uma canção símbolo dos vendedores de jornais nas ruas.

Essa canção composta em 1933 foi dedicada ao famoso jornal “A Noite”, do Rio de Janeiro. Canção que fez muito sucesso nas rádios e teatros. Interpretada por vários cantores da nossa música a canção defendia a criação de um órgão de assistência aos meninos vendedores de jornais.  Virou um hino – pregão desses pequenos trabalhadores que circulavam nas ruas e semáforos das cidades. Em 1940 era criada a Casa do Pequeno Jornaleiro. Acabaram-se os pregões das ruas da minha infância. Os jornais impressos estão dando seus últimos suspiros. Mas ficou a música e a saudade de um tempo quando dizíamos “deu Jornal”. Olha a noite que se esvai fechando um ciclo e um tempo que vivo sempre a sofrer. Saudades.

Canção do Jornaleiro / Heitor dos Prazeres

Olha a noite,
Olha a noite,
Eu sou um pobre jornaleiro,
Que não tenho paradeiro,
Ai, ninguém tem vida assim,
Digo adeus a toda gente,
As vezes fico contente,
Ninguém tem pena de mim.

Eu vivo sempre a sofrer,
Óh, que destino é o meu,
Eu que fui sempre jogado,
Vou vivendo amargurado,
Óh que sorte Deus me deu.

Olha a noite,
Olha a noite.
Eu vivo sempre a sofrer,
Óh, que destino é o meu,
Eu, que fui sempre enxotado,
Vou vivendo amargurado,
Óh, que sorte Deus me deu.

Olha a noite,
Olha a noite.
Quando o sol vai se escondendo,
Eu vou me entristecendo,
Porque tenho coração,
Vivo sempre amargurado,
Como as folhas a meu lado,
Cumpri com a minha missão.

Eu vivo sempre a sofrer,
Óh, que destino é o meu,
Eu, que fui tão maltratado,
Vou vivendo amargurado,
Óh, que sorte Deus me deu.

Olha a noite,
Olha a noite,
Olha a noite,
Olha a noite.

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