Canoeiros de Mossoró

Sim, em Mossoró havia canoeiros!
Meu avô Artur, seus irmãos e seu pai,
Como tantos outros valentes do remo,
Transportavam gente e mercadoria
De um lado a outro, corrente do rio.

Além das viagens anônimas do todo dia,
Episódios históricos envolveram canoeiros:
O perseguido jornalista Martins de Vasconcelos,
Para fugir dos seus algozes,
Valeu-se do jovem Rodrigues Alves
– depois conceituado professor –
Para, numa canoa, transportá-lo à margem da liberdade.

Mas veio a década de quarenta,
E padre Mota – prefeito gordo e buchudo –
Ergueu uma ponte sobre o Rio Mossoró.
O que para a cidade foi próspera iniciativa,
Por outro lado, diluviou uma profissão.

Alguns viraram serventes e pedreiros,
Outros foram ganhar a vida
Na pedra dura do Mercado,
Vendendo peixes e assados.

Um deles, porém, não largou o rio.
Contemplava-o dias e noites a fio…
Talvez, quem sabe, tentando compreender
Que, como aquelas águas: tudo passa.

Escritor e professor universitário. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Colmar Duarte 15 de julho de 2014 7:46

    Amigo David, lindo texto.
    Na minha aldeia também existe um rio, o Uruguai, com balseiros e pescadores que
    ” envelhecem de silêncios, pescando noites inteiras. Nem veem o tempo passando, cercados de tanta estrela…”
    Um abraço deste admirador da tua arte.
    Colmar

  2. David Leite 6 de março de 2014 23:19

    Obrigado, amigo Anchieta…

  3. Anchieta Rolim 5 de março de 2014 14:00

    “…Um deles, porém, não largou o rio.
    Contemplava-o dias e noites a fio…
    Talvez, quem sabe, tentando compreender
    Que, como aquelas águas: tudo passa.” Belo. Parabéns, David Leite!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo