Canudos Live

A estátua de Antônio Conselheiro, que parece observar do mirante o açude Cocorobó e a nova Canudos (à dir.). Legenda original da foto publicada pela FSP.

Foto: Letícia Moreira/Folha Imagem

O imenso açude Cocorobó esconde uma cidade dizimada. Milhares de mortos em nome da República do Brasil. Nos livros de história os relatos são lacunosos como boa parte das guerras travadas pelo povo brasileiro. Guerra que ainda não acabou. Canudos ainda vive. Muitos trabalhadores não são beneficiados com a água do açude que cobriu a comunidade liderada por Antonio Conselheiro. Muitos ainda padecem de cede e fome. O sertão é árido e seco. A série de reportagem da Rede Record iniciada no dia 12 de Março mostra bem esse estado de calamidade. Açudes esturricados. A água tendo que ser transportada a léguas de distancia. Falta trabalho e muitos vivem abaixo da linha de pobreza.

No ano passado em mais uma viagem a Canudos vi o grau de pobreza traduzido num grande numero de adolescentes na prostituição. Um retrato que tem semelhança com muitas outras regiões de um Brasil onde a imensa riqueza não chega para todos. Pais que arrecada mais de um trilhão de impostos e não oferece o mínimo para muitos cidadãos.

Participando de um seminário dedicado a um grande estudioso de Canudos – José Calasans – vi alguns grupos fazendo arte e lembrando a sua história. Uma história que não pode ser esquecida e que tem no senhor que organizou um pequeno museu um grande guardião. No museu foram recolhidos utensílios, indumentárias e balas utilizadas no massacre de canudos. Bela iniciativa de alguém que tem orgulho da sua história.

Uma história ainda viva no sofrimento do povo. Uma história que precisa ser melhor contada. Uma chaga no coração do Brasil. Infelizmente muitas das misérias do tempo de Canudo ainda persistem. Na comunidade pensada por Antonio Conselheiro o pouco que tinha era divido com todos. Não havia prostituição. Hoje o muito é divido com poucos. Uns com tanto e outros milhões sem nenhum. Canudo Vive.

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